Um homem para servir de exemplo
Peço desculpas aos leitores pela falta de coluna da semana passada. Geralmente a escrevo às quartas-feiras durante a noite, e na semana anterior, neste horário falecia uma grande pessoa na minha vida, meu avô. Um homem honesto, íntegro, de grande caráter e personalidade forte, que marcou a minha vida e a de muitas pessoas e foi grande exemplo para mim de trabalho e de chefe de família.
Poderia escrever hoje com muita dor e tristeza, mas não é isto o que acontece. Ao contrário escrevo com muita alegria, jamais por ele ter ido, mas sim por ele ter sido. Foi uma grande pessoa, que me ajudou muito a aprender na vida e servirá para sempre como grande exemplo.
Passei muito tempo de minha infância ao seu lado e de minha avó. Aliás, passei praticamente em contato com ele toda a minha vida, já que era meu vizinho de quintal. Mas não tenho dúvidas que principalmente a infância são muito marcantes, pois é o momento de socialização e aprendizagem, e ele me ensinou belas coisas, principalmente como ser bondoso, autêntico, chefe de família, duro e ao mesmo tempo de coração mole, e um grande trabalhador. Ao olhar para o passado e lembrar dele tenho certeza que foi fundamental para me ajudar a sonhar, já que era um grande realizador e idealizador. Sempre correu atrás do que almejou e torna-se difícil lembrar de algo que não tenha conquistado ao longo da vida. Não me refiro aqui aos bens materiais, mas amizades, conquistas, realizações e trabalho.
Esta coluna reflete na maioria das vezes sobre o trabalho, e, definitivamente seu Joaquim Deusdará foi um grande exemplo de como construir as coisas na vida correndo atrás dos sonhos. Saiu de Pilão Arcado no interior da Bahia sem nada e veio para São Paulo com o sonho de servir o exército e construir uma vida. Fez família, ótimos filhos e deixou um legado de saudosistas, entre parentes, amigos e admiradores.
Muito simples e humilde, escondia atrás da expressão simples um homem muito rico interiormente, com muito o que ensinar e aprender neste mundo. Construiu uma família belíssima, da qual tenho muito orgulho de pertencer. Passou os últimos anos doente e com mal de Alzheimer, que muito lhe prejudicava, mas por trás daquela carapaça, daquele corpo velho e quase todo acabado, tenho certeza se escondia um homem forte, íntegro, que quase nada neste mundo podia abalar. A carne voltou ao pó, mas a alma riquíssima deste homem terá com certeza melhor destino e seus ensinamentos e exemplos de vida jamais serão esquecidos por todos nós. Obrigado por ter me ensinado muito do sentido da vida.
Passei praticamente oito das últimas nove horas de vida deste homem e pude ver não um doente terminal que se deteriorava em uma cama. Não é deste que lembrava naquele hospital, mas na história dos seus quase 92 anos de vida. Passou pela vida de muita gente, deixará muita saudades, mas acima de tudo isto deixou um legado para ser recordado e muito conhecimento ensinado a todos que cruzaram seu caminho. Como outrora já fiz em minha infância, mais uma vez ouso dizer com muito orgulho, meu nome é Rodrigo “Vovô” de Salvi. Obrigado por permitir a mim ter feito parte da sua vida. Vai com Deus!!!
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