Osasco,

 

Sou o que trabalho
Rodrigo Deusdará Salvi

 

Desde o início em busca da felicidade

Como discutíamos em nossa semana anterior, o homem trabalha em busca de um objetivo principal: as posses.
Quando olhamos para a evolução humana ao longo dos milhares de anos que ele está neste planeta, verificamos que seu foco principal na vida vai se modificando ao longo dos tempos. Até mesmo a evolução da espécie, a criação de apetrechos e ferramentas diversas vão permitindo ao ser humano idealizar novos horizontes e mudar de foco ao longo da vida.
Se recorremos ao homem da pré-história e do início de sua existência até um bom período de tempo posterior o grande objetivo de vida deste era sobreviver. Não morrer de fome e disputar espaço com outros seres viventes. Não possuía ainda grande capacidade de desenvolvimento tecnológico, nem mesmo muita capacidade cognitiva e intelectual, parecendo muito mais próximo dos animais do que da nossa espécie atual.
Passada mais uma grande quantidade de anos e este homem vai se organizar na sociedade. Vão aparecer as civilizações humanas com suas várias formas de organização e desenvolvimento. Aparecem as primeiras leis e regras sociais nos clãs, tribos e povoados diversos. Além claro da sobrevivência, outro dos objetivos das pessoas passa a ser as conquistas territoriais, nas várias batalhas traçadas ao longo do vasto espaço territorial do nosso planeta. Possuir era sinônimo de poder e aqueles que mais se destacavam eram os que eram temidos pelos outros por sua capacidade de batalhar.
Vai aparecer também o período da vida humana em que importava era pertencer a uma família de prestígio. O poder era hereditário e quem era da família real, ou um duque, entre outras possibilidades mais, eram os valorizados na sociedade. O objetivo dos “alta classe” era fazer valer seu poder e os “baixa classe” simplesmente sobreviver e servir aos superiores.
Chegamos então a tempos atrás, com o advento das revoluções industriais e do capitalismo, em que passa a ser objetivo principal das pessoas ter um bom trabalho para conquistar algumas posses. Os mais valorizados eram os detentores do capital e de terra, pois estes estavam no topo da classe social. Este era o início da era da comercialização, mas também muito dominada, como em vários anos anteriores pela religiosidade. A religião sempre foi foco principal da vida de muitas pessoas há anos atrás, não importando para elas ter bens materiais e dinheiro, desde que tivessem a Deus. A vida verdadeira não seria esta mas a eterna.
Nos dias atuais tudo muda de figura. Apesar de muitos ainda terem como foco principal de vida a religião, por exemplo, os paradigmas mudaram substancialmente a partir do advento da sociedade narcisista do espetáculo e do imediatismo. Passa a ser o principal objeto de desejo da humanidade nos dias de hoje as possibilidades de compra. A idéia central é que a felicidade está a venda nos produtos e serviços comercializados. Se sua felicidade se fará por um corpo perfeito, basta comprá-lo nas plásticas e tratamentos estéticos. Se estiver nos objetos que podem te fazer sentir bem perante os outros, basta comprar o carro perfeito, a roupa ideal, ou qualquer objeto mais, recheado da certeza fantasística de que preencherá seu ego esvaziado.

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