Osasco,

 

Paulo Coelho
 

O novo ano e o guerreiro da luz

Um guerreiro da luz nunca esquece a gratidão. Durante 365 dias passados, foi ajudado pelos anjos; as forças celestiais colocaram cada coisa em seu lugar, e permitiram que ele pudesse dar o melhor de si. E foi ajudado por seus amigos, que estiveram do seu lado.
Um guerreiro não precisa que ninguém lhe recorde a ajuda dos outros; ele se lembra sozinho, divide com eles a recompensa e as decisões para o futuro.

Aprendendo a esperar

Um guerreiro da luz respeita o principal ensinamento do I Ching: "a perseverança é favorável".
Mas sabe que perseverança nada tem a ver com a insistência. Existem épocas que os combates se prolongam além do necessário, exaurindo suas forças e enfraquecendo seu entusiasmo.
Nestes momentos, o guerreiro reflete: "uma guerra prolongada termina destruindo o próprio país vitorioso."
Então retira suas forças do campo de batalha, e dá uma trégua a si mesmo. Persevera em sua vontade, mas sabe esperar o melhor momento para um novo ataque.
Um guerreiro sempre volta à luta. Mas nunca faz isto por teimosia - e sim porque nota a mudança no tempo.

Entendendo as próprias qualidades

Um guerreiro da luz conhece seus defeitos. Mas conhece também suas qualidades.
Alguns companheiros queixam-se o tempo todo: "os outros tem mais oportunidade que nós".
Talvez tenham razão; mas um guerreiro não se deixa paralisar por isto; ele procura valorizar ao máximo as suas virtudes.
Sabe que o poder da gazela é a habilidade de suas pernas. O poder da gaivota é sua pontaria para atingir o peixe. Aprendeu que um tigre não tem medo da hiena, porque é consciente de sua força.
Um guerreiro procura saber se pode contar com estas três virtudes: habilidade, pontaria, e consciência de si mesmo.
Se as três estão presentes, ele não hesita em seguir adiante. Se não estão, adestra-se até que possa confiar em suas atitudes.

Aprendendo o objetivo

Um guerreiro da luz, antes de entrar num combate importante, pergunta a si mesmo: "até que ponto desenvolvi minha habilidade?"
Ele sabe que as batalhas que travou no passado sempre terminaram por ensinar alguma coisa. Entretanto, muitos destes ensinamentos fizeram o guerreiro sofrer além do necessário. Em mais de uma vez, ele perdeu seu tempo, lutando por uma mentira. Mas os vitoriosos não repetem o mesmo erro.
Um guerreiro não pode recusar a luta; mas sabe também que não deve arriscar sentimentos importantes, em troca de recompensas que não estão a altura do seu amor.
Por isso o guerreiro só arrisca seu coração por algo que vale a pena.




 

ÚLTIMAS COLUNAS

O guerreiro da luz e suas escolhas

A sabedoria chinesa

O problema dos outros

De diversas tradições

Pilar caminha pelos Pirineus

As maneiras de rezar

Uma palavra já esquecida

Relembrando a Lei de Jante

A arte da retirada

Sobre a alimentação

Árabes e judeus

Os dez passos

Voltando a Nasrudin

Circulando na Internet

O telefone e o dom

A arte de tentar

Histórias muito curtas

A oração de Petrus no caminho de Santiago

O sinal em Túnis

Sobre as maneiras de rezar

Olhando para o próprio umbigo

Bastões e poucas regras!

William Blake, o visionário

O guerreiro da luz e a renúncia

Tudo se move

Fugir ou enfrentar a dor?

A conversa com o demônio

Aprendendo com as flores

No mosteiro de Melk