ESPECIAL
Arnaldo Duran, um novo modo de fazer jornalismo?
Recentemente, o jornalista e apresentador do programa “Hoje em Dia”, Britto Jr, afirmou que o jornalismo está amarrado, condicionado e que era preciso mudar. Nesse novo quadro, alguns profissionais estão mostrando novos formatos de jornalismo e um olhar diferente para reportagens, discussões sobre o quarto poder e tudo mais, um deles é Arnaldo Duran.
Profissional com mais de 37 anos de profissão, Duran por muito tempo cobriu assuntos como a tragédia de 11 de setembro, os tiros em Columbine, que inspirou filmes e documentários e inúmeras reportagens, sempre buscando a profundidade de cada tema, de cada discussão, de cada personagem apresentado.
Semana passada, o programa “Entrevista Record- Bastidores das notícias”, exibido pela Record News e apresentado por Celso Freitas, pontuou uma belíssima homenagem ao jornalista. E tudo por conta da série de reportagens “A Corrida do Ouro”- aplaudida com o “Prêmio Imprensa Embratel 2007”. Na atração, Duran contou as dores e os prazeres dessa longa reportagem, das dificuldades, os medos e o cansaço. Segundo o jornalista, uma das problemáticas foi o rio Juma, um dos mais perigosos da região. “As corredeiras do rio são perigosas e violentas, tive muito medo, tanto é que tinha uma passagem para fazer e não fiz. Passagem, para quem não sabe, são aquelas entradas que o repórter conta o que vai acontecer, não consegui, estava morrendo de medo, pois até sei nadar, mas não adianta nada, mesmo se conseguisse chegar na margem, animais e outros perigos rondavam”, comentou. Com essa frase, Arnaldo Duram tirou aquela fantasia do “super jornalista”, corajoso, capaz de desviar de qualquer perigo por uma boa notícia. Outra revelação de Duran na entrevista, foi em relação a que os garimpeiros só comem carne no garimpo, pois fora isso, a realidade é bem outra e que a hospitalidade aparece em forma do oferecimento de um café, e você tem que aceitar. “O café é feito com aquela água suja, mas você tem que aceitar, eles não aceitam não, é um desrespeito tremendo”, citou. O tema doença também foi zapeado na entrevista, Arnaldo Duran comentou que conheceu pessoas que contrairam a malária pelo menos umas quinze vezes. “Eles trabalham enquanto não estão sentindo dores, não estão preocupados com filtros e tudo mais, mas fiquei sabendo que não utilizam mercúrio para separar o ouro do barro”, destacou.
Outro destaque do programa foi a questão da miséria. “90% deles vivem na miséria, isso não quer dizer que outros tenham muito, em Acuri-AM, a realidade é bem diferente, apesar de tudo foi a viagem e a reportagem que mais gostei de fazer, que me deu mais prazer e aprendizado”, sublinhou.
O efeito dessa entrevista com Arnaldo Duran mostrou para quem quer entender o jornalismo e todo panorama da profissão, é que ele não idealiza os assuntos, mas faz os temas pulsarem, conquistando mentes e corações, no velho clássico de Clóvis Rossi.
No programa “Entrevista -Cultura, da Record News, o jornalista mostra como o cantor/compositor entrevistado tem uma ligação direta com seu público, com as histórias escolhidas para conquistá-los. No bate-papo com Beth Carvalho, Duran lembrou o estilo “Roberto Dávila”, elegante, gerou pausas e deixou espaços para que a artista contasse a sua saga, incluindo o conflito com a escola de samba “Mangueira”. Na entrevista com Jair Rodrigues, o apresentador mergulhou no passado do sambista, suas participações em festivais e a fenomenal parceria com Elis Regina. Aqui, Arnaldo Duran, ao lado da produção, funcionou como um resgate atemporal, mostrando a importância do artista no cenário da MPB. Com essa sintética análise, fica evidente que o jornalista é um capítulo a parte dessas mudanças, desse diferencial, na quais os temas e personagens aparecem. Duran consegue fazer isso com simpatia, imprimindo sua personalidade, mas não sufocando entrevistados e assuntos. É assim, com essa possibilidade, que a notícia vai conquistar cada vez mais telespectadores, leitores e tudo mais. Britto Jr estava certo, o sisudismo na imprensa está dando lugar para algo mais espontâneo e nem por isso menos verdadeiro. Abraços e até a próxima edição do “Espelho Mágico”.
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