ENCENA

• Na tarde dessa segunda feira, 10, o Secretário de programas de políticas culturais do MinC ( Ministério da Cultura), Célio Turino, esteve no "Espaço Cultural Grande Otelo". E ladeado por Aldo Rocha - um dos intermediários dessa vinda para Osasco e o Secretário de Cultura, Luiz A Urban, Turino mostrou carisma e contou várias histórias sobre pontos de culturas no Brasil. E com o "Grande Otelo" lotado, permeado por nomes como Ricardo Dias, Isa Ferreira, Rubens Pignatari, Vera Lúcia Godoy Correa, Dario Bendas, Toninho Rodrigues, Samuel Batista, as pesquisadoras Marli Vasconcellos, Marcia Santiloni, as escritoras Mirtis Marques e Maria Rosa,a bibliotecária Alair Barbim de Lúcia, a vereadora Sônia Rainho ( ela está sempre presente em todos eventos culturais e se importa, realmente, com o destino das ações culturais na Região Oeste) e tantos outros, o representante do MinC, na abertura da sua explanação, citou nomes como Câmara Cascudo: " Lembro- me de uma frase significativa de Câmara Cascudo, um dos maiores pesquisadores do folclore no Brasil: O melhor do Brasil é o brasileiro", comentou. " E concordo com essa fala, é impressionante como o Brasil se transforma nas suas pequenas manifestações culturais, nas suas danças regionais, no seus cantos de bairro, a cultura precisa fervilhar, só assim poderemos mudar as faces da identidade cultural do pais", destacou.
• Em outro momento, o representante do MinC fez um comentário sobre o servidor público: " O servidor público tem que servir o público e não se servir do público, e isso tem que ficar bem claro, alguns ainda não tomaram consciência dessa grande verdade", destacou. Turino também lembrou da importância do geógrafo Milton Santos: "Os cineclubistas da cidade poderiam se organizar e exibir esse filme, Conversa com Milton Santos, essa obra é fantástica e mostra como se entende o Brasil. Milton Santos foi um dos homens mais inteligentes desse Brasil, negro, baixinho, e muitas vezes foi confundido como porteiro, tal era a simplicidade dele. No entanto, o mais importante de tudo isso, foram os legados deixados por ele, que são muitos", comentou. "Nesse Brasil, que viajo muito, conheci uma mulher que transformou sua casa em ponto de cultura, deixou ali só sua cama, o resto virou ponto de cultura, é fantástico ver uma pessoa tão dedicada a esse caminho, a esse quase sacerdócio e o mais engraçado é que esses jornais importantes, badalados pelo Brasil, não comentam essas histórias e só falam de políticos, de fulano que ficou melindrado com a atitude do político tal e por ai e esquecem de contar essas pequenas grandes histórias que, certamente, estimulariam muitas pessoas a realizarem seus projetos, seu livro publicado, sua música gravada e tantas outras propostas do sonho humano", sublinhou. "São tantos lugares que estão buscando estimular a cultura, a auto-estima das pessoas, como o caso de uma cidade que está organizando um evento de ópera da viola, olha que legal, saiu da normalidade e veio com essa idéia, são essas pessoas meio malucas que trazem soluções, idéias e movimentos"
• Célio Turino ainda frisou que as mudanças acontecerão pelas manifestações populares. "Não esperem soluções vindas dos políticos, busquem associações, assinaturas, procurem organizações, pertenço a um partido político e, sinceramente, não vejo as transformações reais acontecendo por esse caminho da política partidária", citou. "Acredito, claramente, que o que todos buscamos é a identidade, mas essa identidade precisa aparecer em uma equação que somada a austeridade gera a palavra solidariedade, só assim é que construiremos uma sociedade menos injusta", finalizou.
• A participação do representante do MinC foi carismática e esclarecedora na questão dos pontos de cultura. No entanto, a classe artística saiu do evento frustrada, pois o tema proposto era outro, ou seja, a verba para a cultura. Com isso, atores, diretores, produtores e inúmeras personalidades ficaram com a sensação de que foram só para ouvir histórias e depoimentos de artistas que estavam mais interessados em aparecer do que questionar Célio Turino. Segundo informações, Turino voltará a participar de outros eventos e palestras em Osasco. Vamos aguardar e torcer para que os temas sejam mais concisos e objetivos e que alguns artistas não estejam tão ansiosos para contar suas histórias e experiências. Valeu!!!
• Falando de Imprensa. Normalmente, as revistas especializadas em TV focalizam as atrações baseadas em informações de assessorias ou sites das próprias emissoras, com isso perdem o diferencial. Algumas publicações apenas resumem os capítulos de novelas dando destaque para este ou aquele ator. Claro, dentro desse contexto, existem aquelas que conseguem chamar a atenção por matérias mais extensas, pesquisas, opiniões e tudo mais. É o caso da revista "Ti Ti Ti". Nessa semana, a publicação da editora Abril, destacou uma super entrevista de três páginaS com Milton Gonçalves- coisa rara já que essas revistas, normalmente, são voltadas para as menininhas que querem só galãs nas capas. E ali ele revelou que não acredita em Cultura Negra: "Não sou do movimento negro, mas sou um negro em movimento. E vou ser enquanto vida tiver. Esse preconceito introjetado, que até eu posso ter, faz parte de nossa cultura. As pessoas costumam falar de cultura negra, mas cultura não é biologia, cultura é resultado de geografia, história e sociologia. Não existe cultura negra. Se você grafar a cultura negra tem que ter a amarela, a brança e não existe isso. Tem cultura japonesa, chinesa, angolana, africana. Na minha visão, é um atraso promover seminários para discutir esse tema. Isso não existe. Vou levar mais uma paulada por estar falando tudo isso, mas tudo bem". Com esse texto, quero mostrar o quanto essas entrevistas, em revistas especializadas em TV, podem sair do senso comum e destacar personalidades com conteúdos, não figuras que não tem nada o que falar e nem carreira. Outra matéria dessa revista foi intitulada de "Rodrigo Santoro e Benicio Del Toro" e mostra a entrevista com os dois astros do filme "Che". Produzido pela jornalista Rose Delfino, a entrevista é extensa e mostra as facetas dos dois artistas, com perguntas que saem do senso comum e exercem o jornalismo sério, sem "glamourizaçao". Está valendo, vamos aguardar outras edições.
A Favorita, uma trama com muitos acertos e erros

Não é fácil escrever uma novela, e principalmente hoje em dia na qual uma telehistória apresenta mais de 180 capítulos. No entanto, o público ainda aprecia uma boa trama com enredo inteligente e atores cativantes. Isso seria a fórmula de uma receita de sucesso? Não necessariamente, "A Favorita" faz sucesso, mas apresenta uma história cheia de falhas, incoerências e elenco mal aproveitado. E, leitor, antes que alguém comente algo, não posso reclamar de nada em relação a Elizângela. A atriz, com sua Cilene, aparece a todo momento e está na linha de frente da novela e mesmo quando desaparece, quando ressurge, vem com a proposta de dominar os capítulos com cinco, seis ou sete cenas por capítulo. Isso sem contar as capas de revistas, nunca vi a atriz em tantas capas. Então, não dá para reclamar, mas a questão não é Elizângela e sim a trama "A Favorita" como um todo.
A atração global do horário nobre já foi acusada de tudo, de não dar espaço para os atores- vide Ângela Vieira - que até agora não teve o seu personagem devidamente desenvolvido. E segundo a sinopse, a personagem Arlete teria um história de impacto com Romildo (Milton Gonçalves) - gerando revoltas e indignações em Damião (Malvino Salvatore), o filho dela e e Alícia (Taís Araújo) e Diduzinho ( Fabrício Boliveira). No entanto, percebe-se, claramente, que o autor João Emanuel Carneiro não gosta de gerar cenas para Ângela Vieira. Na novela anterior "Cobras & Lagartos", a atriz intepretava Celina - a gerente da Luxus e madrasta do principal vilão da história Estevão (Henri Castelli) e mãe da personagem de Cleo Pires, mas mesmo assim não teve suas histórias desenvolvidas pelo autor. Alguma coisa acontece, e, leitor Ângela Vieira é uma boa atriz e já viveu personagens importantes na teledramaturgia como a corrupta Mara em "Corpo Santo", de Jhosé Louzeiro, Janete em "Terra Nostra", Esmeralda em "Coração de Estudante" e tantos outros, quer dizer, não dá para entender, ou melhor dá para pensar que cada autor tem um elo de identificação e admiração com seus artistas, não é o caso de João Emanuel Carneiro e Ângela Vieira, mesmo a cúpula global forçando a barra.
Outra questão é a pouca expressão do personagem Alícia. Ora, leitor, Taís Araújo é a atriz predileta do autor. Viveu a primeira protagonista negra contemporânea, Preta em "A Cor do Pecado" e esse personagem vinha com assinatura de João Emanuel Carneiro, também foi a golpista Ellen em "Cobras & Lagartos", que vira o jogo na trama e rouba o foco virando protagonista ao lado de Lázaro Ramos como Foguinho. E agora, esse personagem só quer chocar, tem pequenas ações, como desmascarar o pai corrupto, mas isso não mobiliza o público, não gera comentários e faz do personagem de Taís Araújo virar mais um na sua carreira. A figura só está sendo comentada pelo corte de cabelo e nada mais. Nos próximos capítulos Alícia levará um tiro- por culpa do próprio pai, vamos aguardar essas cenas.
O personagem Pedro ( Genésio de Barros) desapareceu e está há mais de três semanas ausente dos capítulos de "A Favorita". O problema desses desaparecimentos, é que quando o personagem reaparece, demora um tempo para o público criar o lanço de empatia novamente, de entender sua história, sua luta e tudo mais, novela trabalha com cotidianidade, com personagem dividindo o dia a dia. Então, quando acontece de uma figura desaparecer, aquela figura ficcional passa a não exercer confiabilidade no público, ele foi abandonado, aquela figura deixou de pertencer ao seu cotidiano. Claro, que Pedro é uma figura que gera torcidas, mas é muito tempo para um personagem ficar ausente de uma trama.
Outro aspecto negativo é o excesso de aparições dos protagonistas Flora (Patrícia Pillar), Donatella (Cláudia Raia), Lara (Mariana Ximenez). Muitas aparições e às vezes os personagem não tem o que dizer, a não ser as velhas lamentações ou as velhas maquinações, como no caso de Flora. Personagem como Silveirinha (Ary Fontoura), Dodi (Murilo Benício- perfeito no papel), Cilene ajudam a história se movimentar. No entanto, muitas são as cenas repetitivas dessas figuras. Cadê as nuances comportamentais desses personagens? Na vila operária, é interessante ver os dramas da família de Copola (Tarcísio Meira) e seu amor idealizado por Irene (Glória Menezes), ao mesmo tempo o afeto que envenenou Gonçalo (Mauro Mendonça) e Yolanda (Susana Faini). Que interessante essa coisa da empatia, da irmandade de almas, das identificações. Copola e Irene amam as mesmas coisas, são refinados, necessitam dos mesmos elementos, aplaudem e se importam com os mesmos tipos humanos. Yolanda embruteceu e Gonçalo vive seu mundo de negócios, com seus inúmeros aspectos. Quatro personagens que redimensionam "A Favorita". O triângulo Catarina (Lilia Cabral), Léo (Jackson Antunes) e Estela (Paula Bularmaqui) é bem interessante. No entanto, esses três personagens merecem um comentário só para eles, prometo aprofundar mais essa análise, prepare-se, pois esse um prólogo de um comentário amplo em três partes. Abraços e até a parte 2 desse mesmo tema.
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