Osasco,

 

Fatos & Idéias
Mário Luiz Guide

 

Os Humanos e a Força da Natureza

Este 2010, nos seus primeiros meses, está muito trágico. Quatro grandes terremotos com milhares de vítimas: Haiti, Chile, Índia, China, etc.
Grandes tempestades: Estados Unidos, Europa, Brasil, etc. Aqui houve o deslizamento de morros em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Niterói, Grande São Paulo, etc. E agora a erupção de um vulcão na Islândia provocando grandes enchentes por derretimento de grandes rochas de gelo: fogo e água.
Diante destes fatos, alguns acusam os governantes de negligência por não preverem nem se prepararem para estas grandes eventualidades. Outros isentam totalmente os governantes argumentando que as grandes tragédias independem da ação humana. Estes debates tendem a contrapor a força do destino, das circunstâncias com a força da ação humana, da vontade e da determinação dos humanos para vencerem a força da natureza. O conflito homem e natureza, cultura e natureza, "livre arbítrio" e determinismo, entre a "sorte" e o "modo de agir" é antigo. Lembra a discussão de Maquiavel entre a "virtú" (virtude) e a "fortuna" (acaso).
A virtude tem raiz latina: "virtus" força corpórea; "vir": varão; "vis" força. "Virtus" é poder, vigor, tem sentido específico de mérito, capacidade. Ela era uma deusa alegórica grega e era a deusa do valor em Roma, filha da verdade: uma mulher simples, modesta, vestida de branco, com o peito direito nu, sentada sobre uma pedra quadrada. Levava uma lança e uma espada, tinha uma estátua de ouro em Roma e muitos templos.
Por sua vez, a "fortuna" é divindade alegórica tanto grega como romana. Para Aristóteles, a "fortuna" existe quando "a causa se produz por si mesma, em vão". Faz parte do azar ("automaton") a "fortuna" é um caso particular de azar. Ou melhor, "é o azar aplicado a seres capazes de escolher".
Em Roma é a divindade do destino, a sorte, símbolo do capricho e do arbitrário que comandam a vida. Ela tinha grande poder sobre os assuntos humanos, como filha de Júpiter: podia ajudar ou destruir os humanos como força volúvel e caprichosa. É sempre implacável. Seus atributos são a roda, o disco, a proa da nave, o de fim. A "fortuna" distribui caprichosamente os bens e os males.
Diante de tantos fatos tristes, trágicos, que ceifam tantas vidas humanas, devemos ter claro que tem coisas que dependem de nós, de nossa preparação e tem coisas que não dependem de nós, estão além da força humana ("fortuna'). Mas quanto mais preparado estiverem os humanos menos serão atingidos pela força da natureza. A luta continua !

 

 

 

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