Osasco,

 

Sou o que trabalho
Rodrigo Deusdará Salvi

 

Muito à frente deles

Quem são eles a quem me refiro no título desta coluna? São os argentinos. Semana retrasada visitei a Argentina pela primeira vez em minha vida e fiquei muito frustrado. Estive em Buenos Aires e constatei que o país é muito mais atrasado do que o nosso. São por estas que a cada dia que passa acredito que estamos caminhando e muito bem em um progresso rápido e interessante. Eles estão muito atrás de nós em muitos sentidos. Claro que se trata de uma análise bem superficial até porque não fiquei muito tempo e nem tive a oportunidade de conhecer tudo e as atividades dos argentinos como um todo, mas o que vi me trouxe uma impressão bastante decepcionante.
Que me perdoem os argentinos que acompanham esta coluna ou que a estão lendo pela primeira vez, mas o país que ví está muito atrasado e me fez sentir mais orgulho desta nação da terra de Santa Cruz da qual vivo. Para os menos informados estou falando do Brasil é claro. Outra observação importante é que estive no país dos “hermanos” a turismo e não como analista ou coisa e tal, mas não pude deixar de fazer minhas considerações. E acreditem não é só no futebol que somos superiores, mas também em organização, tecnologia e desenvolvimento como um todo. Farei a vocês algumas descrições nada técnicas do que presenciei.
Primeira observação importante é o trânsito. Achei tudo muito desorganizado, com inúmeras fechadas entre veículos, taxistas folgados, algumas avenidas muito largas mas sem muita ordem. O único ponto positivo é que o trânsito parece muito melhor, mas com muito menos veículos. Aliás, a frota é muito mais velha e precária do que a de São Paulo, por exemplo.
Outro aspecto importante e marcante é o metrô. Andei no mesmo partindo do Obelisco que é o grande centro da cidade. Uma espécie de Av. Paulista e é trágico o que presenciamos. Nosso metrô não é só melhor do que o deles como mil vezes melhor, e olha que alguns reclamam do que temos aqui. Até as linhas da CPTM por exemplo são muito melhores e modernas do que o metrô Argentino.
A frota de ônibus também é muito velha e não possui cobradores, exigindo que todos tenham moedas para sua utilização. Muito confuso pra quem anda a primeira vez.
Senti o povo muito atrasado em relação a tecnologia também. Por incrível que pareça ainda são muitos os serviços públicos prestados com máquinas de escrever, por exemplo. Não achei nada de revolucionário no país e ainda fiquei impressionado como eles adoram fazer monumentos. Se dependesse disto seriam a maior nação do mundo pois em toda a esquina tem uma estátua para você tirar fotos.
Alguns prédios e monumentos parecem até mesmo perdidos em meio aquela grande cidade.
Os centros de comércio mais famosos parecem calçadões como o que temos em Osasco e Carapicuíba. Nada contra isto é claro. Apenas uma constatação para vocês refletirem.
Não é de hoje que os argentinos estão sofrendo um enfraquecimento de sua economia em relação à nossa. Hoje, o peso deles vale um pouco menos do que a metade do nosso real e o povo de lá parece sentir uma certa inveja do crescimento brasileiro que mostra a eles que somos melhores não só no futebol, mas como nação também.



• ÚLTIMAS COLUNAS

O que é ter propósito?

Tudo tem propósito

A dúvida que o fracasso alimenta

Quando o cidadão vira o bobo da vez

De boca fechada não entra mosquitos...

Não chore mais

Metendo os pés pelas mãos

Muito mais do que um cachorro

Lições de um amigo

O homem e a pipoca

Afinal, para que serve o consumo?

Você gosta de acordar cedo?

Aqui é trabalho

Compulsão

Mundo corrido?! Que isso que nada...

O trabalhador destes novos tempos

Imediatismo em foco

O narcisismo e o Pós-modernismo

O capitalismo, o modernismo e o pós-modernismo

Sociedade moderna ou pós-moderna?

A ansiedade de quem procura um emprego