Osasco,

 

Check-Up
Antonio Júlio Baltazar

CONHECER as características de cada gente, de cada povo, sempre foi para mim uma enorme curiosidade. Ao longo destes quarenta anos tenho viajado muito pelo mundo e, por mais que tenha lido sobre o lugar que viajo, sempre descubro fatos curiosos, que depois passam a fazer parte da minha vida.

NOS anos 90 viajei para a Arábia Saudita e por lá fiquei 12 dias com a Equipe Furacão, na cobertura da Copa das Confederações de Riad. Por antecipação sabia que iria para um lugar de hábitos e costumes bem diferentes dos nossos, mas nunca poderia supor o quanto seria diferente.

QUANDO aportei em Riad, a grande capital da Arábia Saudita, fiz amizade com um brasileiro fisioterapeuta de Campinas chamado pelo apelido de “Pernambuco”, nome dado pelo fato de ter nascido no interior daquele estado do Nordeste.

ELE está por lá há mais de 25 anos. Foi levado para trabalhar ao lado do treinador Rubens Minelli e acabou fincando fortes raízes. Quando indaguei por que ele acabou ficando tanto tempo, contou-me uma história relacionada a um pequeno príncipe de 17 anos.

NA época este rapaz desejava participar de um torneio de esqui na Suiça mas tinha um grave problema de contusão no seu tornozelo. Vai pra cá, va pra lá, não havia médico que conseguisse curar seu tornozelo, até que um dia alguém lembrou do “Pernambuco” e mandaram chamá-lo às pressas.

CHEGANDO ao Palácio onde estava o pequeno príncipe, o fisioterapeuta brasileiro demonstrou todos seus conhecimentos acumulados ao longo de sua vida no meio dos esportes. Fez o tratamento e quis Deus que o jovem pudesse participar da competição nos Alpes Suiços.

AO viajar para o torneio, o príncipe árabe fez questão de levar “Pernambuco”, que a partir daquela data nunca mais o largou. Presta seus serviços profissionais a ele até os dias de hoje. Sua família vive em Campinas, e sua dedicação ao jovem príncipe possibilitou que comprasse na região de Campinas duas fazendas, que suas filhas administram.

FIZ uma duradoura amizade com “Pernambuco”. Disse-me que por lá não ganha nenhum tipo de salário. Seu rendimento é feito somente com presentes dados pelo príncipe, que na grande maioria das vezes são barras de ouro, aliás a Árabia Saudita além de ter muito ouro é o maior produtor de petróleo do mundo.

NAS ruas de Riad este brasileiro que fala fluentemente o árabe, é conhecido por todos. Tornou-se um árabe com sotaque de brasileiro. Num certo dia ele foi mostrar para mim o bairro onde se compra ouro todo elaborado e trabalhado pelos ourives árabes.
AO adentrar numa tenda, escolhi algumas peças e acabei fazendo amizade com o dono da loja. Num determinado momento, querendo ser gentil com o comerciante, ao colocar minhas mãos no bolso, notei que tinha alguns distintivos da CBF que tem a cruz de Malta como destaque. Desconhecendo a cultura religiosa, cometi a maior besteira da minha vida.

APANHEI um distintivo da CBF e lhe ofereci como uma espécie de “souvenir”, ele sorriu e no instante que identificou a cruz, o árabe virou um “bicho”. Gritou tudo o que tinha direito e falando em inglês, que não queria por dinheiro nenhum do mundo aquele pequeno símbolo do futebol brasileiro.

FIQUEI assustado e atônito. Corri para o meu amigo “Pernambuco” contornar aquele desagradável mal entendido. A bronca era tanta que nem os presentes que havia comprado consegui levar para o hotel. Depois de muita falação, o “Pernambuco” disse que tinha mexido na maior ferida dos árabes e portanto, ainda que não tivesse a intenção, percebi o quanto é importante em saber um pouco da cultura de cada povo. Essa lição não vou esquecer nunca mais...

EM resumo havia acabado de descobrir o porquê do adágio popular que diz: “...o diabo sempre foge da cruz...”, fui salvo pelo amigo “Pernambuco” que enfatizou: “....nunca fale com um árabe da cruz cristã...”, meus amigos garanto que nunca mais vou falar depois desta experiência em Riad.

NA prefeitura de Barueri, o prefeito Rubens Furlan imprime um ritmo acelerado na sua administração, especialmente aos seus secretários municipais. Um deles, o secretário de Gabinete e Governo, Luiz Roberto Corrêa, mais conhecido como Beto, acaba de descobrir um hobby que é um verdadeiro bálsamo para refrescar a cabeça.

DEPOIS de muito tempo, descobriu que no fundo do baú havia uma violão e sua jovem filha o desafiou para tocar, pois o que ele sabia no máximo era de segurar o instrumento musical. Assim ele foi à luta e ingressou numa academia de música e de tanto dedilhar o instrumento, já começa a dar um pequeno show a seus amigos.

A partir daí, Beto já adquiriu seu violão ultramoderno e elétrico. Chega em casa e mostra toda a sua vocação. É meus amigos, o exemplo do Beto é para todos acreditaram que nunca é tarde, quando temos vontade de realizar os nossos sonhos. Valeu Beto!

NESTE sábado,6, às 19h30, direto da Arena Barueri, a Equipe Furacão transmite pelas ondas da Rádio Terra 1330 KHz, a partida entre Sport Club Barueri x Portuguesa Santista, pelo Paulista da Série A3, narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti e comentários deste amigo.

 

 

 

 

 

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