Osasco,

 

Fatos & Idéias
Mário Luiz Guide

 

As mudanças climáticas e as desigualdades internacionais

Está ocorrendo um Copenhagen, Dinamarca a 15ª conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP-15) entre os dias 8 e 18 de dezembro de 2009. Esta Conferência gira em torno de 4 eixos fundamentais:
1- A meta de corte de emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo efeito estufa, por parte dos países ricos, pobres e emergentes;
2- Financiamento a mitigação nos países pobres, ou seja, financiamento às ações humanas para combater e reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera por parte dos países pobres;
3- Adaptação às mudanças climáticas, ou seja, tentativa de aliviar os efeitos inevitáveis do aquecimento global;
4- Transferência de tecnologias de redução de emissões dos gases de efeito estufa, energias limpas a baixo custo entre os países.
A importância desta Conferência pode ser observada pela presença de 96 chefes de estado, 15 mil cientistas, 3 mil jornalistas, 2 mil reuniões, 34 mil pedidos de credenciais especiais e representantes de 193 países. Uma questão essencial, que é obstáculo para possíveis acordos internacionais de combate ao aquecimento global, é o conflito entre países ricos, países pobres e os países emergentes. Segundo recente relatório da UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas "de 1850 a 2002, os países que hoje chamamos de desenvolvidos (ricos) representaram cerca de 76 por cento das emissões cumulativas de dióxido de carbono decorrentes da combustão de combustíveis fósseis, enquanto que os países que hoje denominamos 'em desenvolvimento' (pobres e emergentes) representaram cerca de 24% ...."
No debate internacional sobre o assunto, os países desenvolvidos (ricos) sempre foram cobrados de ter uma responsabilidade maior no combate ao aquecimento global por serem responsáveis maiores por ele. No entanto, se o clima é um bem público, universal, precisa ser cuidado universalmente. Daí a idéia-base dos tratados: "responsabilidades comuns mas diferenciadas".
Mas as desigualdades internacionais são profundas: mais de dois terços da riqueza mundial se concentra em países desenvolvidos (ricos) que tem uma população de 800 milhões de pessoas (12%) ao passo que o outro terço da riqueza mundial está nos países "em desenvolvimento" (pobres e emergentes) que tem 5,5 bilhões de pessoas.
Porém, segundo este mesmo relatório da ONU – Organização das Nações Unidas, em 2005, as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, dos países em desenvolvimento (pobres e emergentes) passaram para 54% do total das emissões, em grande parte, em conseqüência do crescimento econômico da China, Índia, África do Sul, México, Brasil, Indonésia, etc. Os países em desenvolvimento (pobres e emergentes) alegam que a emissão por pessoa ainda é muito mais elevada nos países ricos. Desta forma, a questão do aquecimento global envolve a questão do padrão de consumo e a questão do crescimento populacional.
Também é verdade que, nos últimos anos, as regiões mais pobres são atingidas de forma mais intensa por catástrofes naturais provocadas pelos efeitos dos gases estufa na atmosfera. Como se nota, esta é uma questão vital para a humanidade e muito complexa. Acho que todos desejam sucesso da COP -15 para o bem da humanidade !

 

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