Estar diante do espelho. Esta é uma das perspectivas do ser humano de se confrontar, conhecer e, a partir de si, dialogar com o mundo.
Com este prisma apresentamos a retrospectiva de matérias produzidas pelo articulista Eduardo Dias que, desde o dia 17 de novembro, encontra-se no Hospital Antonio Giglio devido a um Acidente Vascular Cerebral.
Em sua homenagem e valorizando seus belos textos, que sempre primaram pela análise crítica sobre os signos culturais, selecionamos 16 artigos escritos nos últimos 2 anos que julgamos ter o traço que melhor reflete este grande jornalista e amigo. E acima de tudo, para manter seu trabalho e produção cultural e celebrarmos a vida através - como diz Edu - deste "mosaico de olhares".
Esta é a forma que o jornal Correio Paulista encontrou de desejar o seu regresso, mantendo vivo aquilo que melhor define Eduardo Dias: suas palavras!!!
Walcyr Carrasco desrespeita bibliotecários com Sete Pecados
Recentemente, mais especificamente no dia 05 de setembro, o Conselho Federal de Biblioteconomia enviou um comunicado para Walcyr Carrasco afirmando que os bibliotecários do país estão se sentindo desrespeitados pela forma que estão sendo retratados em “Sete Pecados”. O fato, é que essa não é a primeira vez que uma categoria reclama dos desserviços de uma telenovela.
O novelista Carlos Lombardi, na época de “Quatro por Quatro” foi alertado pelo sindicatos dos enfermeiros e associações, que afirmava que ele estava discriminando a profissão, mostrando enfermeiras apenas como objetos sexuais de médicos e pacientes.
Vivemos em uma sociedade rodeada de preconceitos, mesmo uma ficção tem que tomar o devido cuidado nos enfoques, nas abordagens, pois a TV, para muitos, é um único veículo de “aprendizado” e não só “entretenimento”. Utilizar a teleficção para esses enfoques é um desserviço sim, mas existe a questão do contexto e de como a novela está sendo conduzida, no caso de Lombardi, os erros e desrespeitos foram absurdos.
Já em questão de Walcyr Carrasco a abordagem se dá no contexto, já que é preciso mostrar a luta de Miriam (Gabriela Duarte) para melhorar a escola, reformar, combater o vandalismo e os professores desmotivados. Através deste núcleo, o autor criou a bibliotecária embrutecida Maura (Maria Regina) que com má vontade, não acreditando em mais nada, e só sonhando com a aposentadoria, destrata alunos e sublinha o desserviço de uma categoria, gerando protestos de vários telespectadores, fazendo desse núcleo mote de reflexões.
O contraponto criado por Walcyr Carrasco está indo ao encontro daqueles observadores atentos, que acreditam que as telenovelas podem trazer novas possibilidades de construção de conhecimento, de análises e debates em torno dos vários temas desse Brasil tão rico e tão contraditório em suas questões mais prioritárias.
As indignações dos bibliotecários em relação a Walcyr Carrasco podem alterar os rumos da novela “Sete Pecados”, mas, não podemos esquecer que toda ação tem uma reação, e em breve, vamos ter que nos mobilizar para outras discussões em torno dos enfoques da teledramaturgia. É claro que Miriam, Maura e outros personagens do núcleo da escola de “Sete Pecados” poderiam ser mais aprofundados, pois é o que está gerando comentários, discussões e não os dramas de Dante (Reynaldo Gianecchind), Beatriz (Priscila Fantin) e Clarice (Giovana Antonelli). Por enquanto é só, abraços e até o próximo “Espelho Mágico”.
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