A cor, a vida e a luta
O tema desta semana não foi tão difícil de achar, surgiu durante o jantar com a minha família. À mesa minha mãe me pediu que pegasse uma faca de sobremesa para ela. A partir daí, o tema já estava em minhas mãos. Esta semana, falarei sobre a história dos talheres.
Vou começar contando um pouco sobre o talher mais antigo, a faca, usada pelo primitivo “Homo Erectus” há aproximadamente 1,5 milhão de anos. Claro que os homens das cavernas que utilizavam objetos pontudos para a caça, não eram professores de boa educação a mesa, e estes objetos afiados nem de longe eram parecidos com as facas que temos hoje, antes a faca era feita de pedra.
Então com a idade do Bronze, a faca passou a ser feita de metal, não somente para o ataque e para defesa, mas também até para descascar frutas. Até o século XI, praticamente todo mundo ainda comia com as mãos, os mais educados usavam apenas três dedos. Não era preciso muita imaginação para saber o quão facilmente certas doenças se transmitiam assim.
Naquele século a princesa de Constantinopla chegou à península Itálica, e a história conta que ela tinha o hábito de espetar pequenos pedaços de alimento com um objeto comprido de duas pontas, o primeiro garfo que se tem registro. Segundo o cardeal da península, aquele instrumento lembrava a lança do demônio, além de impedir a mulher de tocar no alimento, considerado uma dádiva divina. Coincidência ou não, ela faleceu pouco depois, para o cardeal a morte foi "castigo de Deus”.
A colher também é bem antiga, há registros arqueológicos de artefatos parecidos com mais de 20.000 anos, feitos de madeira, pedra e marfim. A princípio a colher era parecida com uma concha. Muitos séculos correram, até que por volta de 1530, Florentina Caterina de Médici, que mais tarde se tornaria rainha, levou à França um enxoval completo de talheres, com garfos, facas e colheres.
Mas foi o cardeal Frances Richelieu (1585-1642), que sugeriu pela primeira vez, em 1630, que cada homem deveria ter um talher para ser usado à mesa. Ele era um fervoroso defensor de boas maneiras. A partir daí os talheres passaram a surgir até nos banquetes do rei francês Luís XIV, porém levou mais 200 anos, até que no século XIX o “Mise-en-place”, (Ou “jogo de cena”, como é chamado o modo que se organiza os talheres a mesa), finalmente se popularizou.
A esta altura alguns devem estar se perguntando e os “Hashi”, aqueles palitinhos que no oriente são usados tradicionalmente como talher? Bem eles surgiram por volta do século IV, eram dobrados como se fosse uma pinça, representando o bico de um pássaro. Até a tradução da palavra tem significado, “Hashi”, na tradição shintoísta, significa “Ponte” que liga o homem ao alimento. Eu acho que deixar de comer com as mãos foi uma enorme evolução, hoje haveria várias mulheres reclamando das unhas estragadas por isso, e homens se sujando ainda mais com molhos e caldos!
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