As Desigualdades Sociais e a Semana da Consciência Negra
Esta é a semana da Consciência Negra. Em homenagem a Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro é comemorado o "Dia Nacional da Consciência Negra", como uma forma de ampliar e aprofundar a luta contra os preconceitos raciais e contra o racismo em suas diversas manifestações.
Dos cinco séculos, desde a chegada dos portugueses no Brasil, em quatro, o Brasil viveu sob o regime de escravidão da população negra africana. É uma marca profunda na sociedade brasileira.
Francisco de Oliveira, na sua obra "O Elo Perdido – Classe e Identidade de Classe" cita as razões mais importantes para a utilização da mão de obra negra africana e o não-aproveitamento dos índios nas grandes plantações de cana-de-açucar: "Em primeiro lugar, o desconhecimento do terreno por parte dos invasores portugueses: donos de seu terreno, os indígenas recuavam com a presença de estranhos, marcada por sua nítida superioridade técnica na arte da guerra ... Em segundo lugar, a conquista do terreno pelos portugueses não significava, nunca, o controle de uma estrutura social dada (da situação) ... os indígenas reconstruíram sua economia e sociedade em qualquer novo assentamento (após a fuga) ... Em terceiro lugar, em não podendo imediatamente capturar os indígenas, os portugueses recorrerão à escravidão dos negros africanos". Eram seis milhões de índios em 1500...
Marilena Chauí, na sua obra "Convite à Filosofia" diz: ".. sabe-se que quando os colonizadores instituíram a escravidão e trouxeram os africanos para as terra da América, fizeram tal escolha por considerarem que os negros possuíam grande força física, grande capacidade de trabalho e muita inteligência para realizar tarefas com objetos técnicos como o engenho de açúcar".
De 1500 a 1870, alguns autores estimam que 10 milhões de africanos negros vieram para as Américas. Nas "ordenações filipinas", a legislação portuguesa da época, o escravo negro estava no 'Direito das Coisas" não no "Direito das Pessoas". Eram chamados "peças" de comércio, como tecidos, açúcar ...
Diz Francisco de Oliveira: "Uma ´peça´ na migra, a mercadoria não migra: ela é transportada, exportada e importada. Primeiro ponto a refazer na história conceitual para dar conta da história real: migração forçada, mas migração; não simples "transporte".
Porém, onde há opressão, há luta, resistência. É a luta pela liberdade e pela igualdade. É a luta para construir uma democracia real: política, econômica, social, cultural e racial. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695, mas a sua luta continua. E como dizia Martin Luther King Jr, líder negro americano, em 28 de agosto de 1963: "Eu tenho um sonho ... Sonho que meus quatro filhos, um dia, vivam num país onde não serão julgados pela cor da pele mas por seu caráter".
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