Osasco,

 

Falando Sério
José Carlos Carturan Filho

 

Pão & Circo

Há quinze dias aproximadamente tive novamente a felicidade de estar na Rádio Nova Difusora em Osasco, onde sou recebido por todos sempre de forma acolhedora. E desta vez, ao participar do Programa Mesa Redonda, foi pontuado sobre a alienação que reina nos diversos segmentos da sociedade e em relação ao comodismo do povo frente a tantos absurdos na política.
Esta alienação não é um “privilégio” dos menos favorecidos, das camadas mais humildes e ainda durante o programa, fiz uma analogia, uma comparação à velha (e eficaz) política romana do Pão e Circo.
O império romano se perpetuou no poder, nutrindo a alienação e a ignorância de seu povo por meio desta estratégia. Como funcionava? – Simples: Havia distribuição gratuita de comida às pessoas, principalmente aos habitantes que chegavam a Roma fugindo das miseráveis condições rurais da época. Além da comida, diariamente havia diversão gratuita, os combates entre gladiadores nas arenas.
Desta forma, a população tinha alimentação e diversão o que evitava conflitos e gerava até um confortável “esquecimento” das reais condições de vida, pois qualquer manifestação de rebeldia poderia por fim àqueles benefícios. Para se ter uma base havia 175 feriados ao ano.
Será qualquer semelhança mera coincidência? Pão e circo. Comida e Diversão. E falando nos feriados... Diz-se até que “o ano só começa depois do carnaval”. Quanta coincidência hein!
O futebol, a seleção pentacampeã, a maior festa popular do mundo (Carnaval), novelas com qualidade padrão exportação(umas 10 por dia), festas regionais (como a junina, o boi-bumbá), carnavais fora de época e tudo o mais que conhecemos. Para completar a analogia, dezenas de programas assistenciais que tornam mais vantajoso estar desempregado do que empregado e que, se servem à primeira vista como alento são nefastos em longo prazo.
Alie a isto leis trabalhistas retrógradas, sistema jurídico arcaico, políticos corruptos e uma educação falida e o resultado está pronto. Uma nação sem cultura, sem senso crítico, onde os menos favorecidos servem como massa de manobra.
Estou exagerando? Estamos até agora inebriados por sermos país sede da Copa do Mundo de 2014 e esquecemos o Senado. Comemoramos as Olimpíadas de 2016 e assistimos cenas de guerra na cidade escolhida. As novelas batem recordes de audiência e temos mais de 15 milhões de brasileiros que são totalmente analfabetos.
E talvez você esteja pensando: “Nossa, que chatice José Carlos! Você não gosta de nada! Ledo engano. Adoro futebol, acho que a população tem direito de receber benefícios (e não apenas malefícios) do governo e sei o que se passa nas novelas. E será muito bacana termos a Copa e os Jogos Olímpicos aqui. Sou brasileiro como você.
Só não admito que isto sirva propositadamente como meio para cultivar a alienação, a passividade, cercear nossa liberdade de pensamento e manter uma nação escrava de sua infeliz ignorância.
Só me responda uma coisa: Quem são os maiores beneficiados com este despreparo do povo? Pense nisso.

 

 

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