Não chore mais
Desculpe pelo título, mas as barbaridades envolvendo uma aluna de ensino superior e a revolta dos alunos numa atitude de ignorância em massa, aliada a uma série de estratégias mal direcionadas da própria universidade tomou destaque na mídia dos últimos dias. Nem iria escrever nada a este respeito, até porque talvez não devêssemos oferecer tanto espaço para os atores de tantas atrocidades, mas como sempre é possível aprender com novos acontecimentos, vale a pena uma pequena reflexão sobre os assuntos em questão.
A primeira importante explanação que me vem à mente é referente ao comportamento do universitário destes tempos pós-modernos. Se no passado o pudor e o comportamento moral era um imperativo de sabedoria daqueles que se viam como superiores pelo grau de formação a que requeriam, nos dias atuais, para a maioria, pouco importa a postura profissional com que devem se portar já desde a sala de aula. O vestido da menina podia até ser escandaloso segundo a índole de alguns, mas verdade seja dita, nós professores universitários presenciamos coisas muito piores dentro das instituições atualmente que nem são atentadas por ninguém. Inúmeras são as “meninas e meninos” que se dirigem a uma formação profissional dita “superior” parecendo que vão à praia ou algum tipo de festa carnavalesca. Se estivéssemos nos tempos em que o moralismo era padrão de comportamento, seriam condenados sob todas as magnas autoridades oficiais e oficiosas. Agora, nos dias de hoje para esta sociedade do consumo, estética, imediatista e narcisista, nada de anormal na vestimenta da aluna. Então, porque tanto alvoroço?
A explicação para isto é simples. Trata-se de um efeito em cadeia, como tantos outros de violência social nos dias atuais. Um torcedor comum vai a um estádio de futebol e acaba em cenas de violência pela influência que os outros lhe trazem. Uma pessoa simples, calma e tranqüila parte para a ofensa a policiais no ápice de uma greve, influenciada pelo grupo de convívio. O que aconteceu na universidade foi o mesmo. A “brincadeira” de poucos se espalhou e foi contaminando a todos, numa demonstração de insanidade e raiva induzida e acumulada. É o efeito grupal.
Cometeu-se o erro da ignorância, mas a atitude da universidade foi ainda pior. O erro passou a ser o do preconceito e da difamação. Nada serve como motivo para se isentar das responsabilidades. Eles poderiam usar o caso para um grande debate com a sociedade, como possibilidade de ensinar, já que este devia ser o seu papel, mas ao contrário, tomou a ação de excluir pela expulsão, e, depois de cobrada por todos, voltar atrás. Péssima capacidade de gestão. Como ensinar os alunos a lidarem com o conflito se nem seu superior parece dominar a arte de administrar situações complexas e turbulentas?
Ao invés de servir como modelo de como se portar diante de situações como estas, a universidade, os estudantes e a sociedade descobriram as formas para como não lidar com este tipo de situação. A aluna estava certa? Não sei, provavelmente não. Justifica o que aconteceu? Claro que não. Pareceu uma atitude insana de um dito povo das cavernas. Agora, pior exemplo deu a universidade em questão ao meter os pés pelas mãos. Lamentável!!!
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