Osasco,

 

Sou o que trabalho
Rodrigo Deusdará Salvi

 

Lições de um amigo

Conheci o Pedro. Um cara legal. Meticuloso é verdade e um pouco desconfiado, mas gente boa. Tinha grandes planos para a vida e acreditava que era possível alcançar as vitórias, mesmo não tendo alto poder aquisitivo e nem acesso fácil às coisas. Digo que era meticuloso pelo fato de articular toda coisa para que acontecesse exatamente como planejava. Em certos momentos, ao conversar com ele parecia que tudo no universo conspirava contra ele ou contra outras coisas e pessoas mais. Tinha uma mania incrível de acreditar nas predeterminações das coisas, e, principalmente, em desconfiar da bondade e presteza das outras pessoas.
Interessante porque apesar de desconfiar dos outros era uma pessoa muito boa e prestativa. Quando necessário, não media esforços para ajudar os outros ou contribuir com grandes causas e acontecimentos.
Seu melhor amigo era um cachorro. É curioso quando temos pessoas assim. Alguns ficam com dó ou imaginam que esta pessoa era incapaz de grandes relacionamentos e amizades. Isto é uma generalização equivocada e inválida. É possível um verdadeiro e confidente relacionamento com um animal. Basta entendê-lo, amá-lo e aprender a se comunicar com ele. Uma grande parte das pessoas acha impossível este tipo de relação. Tenho um cão há pouco tempo e posso dizer que já aprendi mais com ele do que com muitas pessoas com as quais tenho amizade há alguns anos. Os animais são dotados de uma inteligência e companheirismo ímpar. Só precisamos extrair uma ótima relação desta pedra bruta. Pedro é uma pessoa que ao longo da vida aprendeu a extrair o máximo da amizade que tinha com seu cão. O seu melhor amigo, como confidenciei várias vezes ele dizer.
Recordo que sempre citou o “garotão” como um verdadeiro exemplo de vida para ele. Ensinou-lhe o que era amar, o significado da palavra amizade e companheirismo, e, principalmente a viver e a trabalhar.
De tanto se relacionar com ele, extraiu sua filosofia de trabalho da amizade diária de seu cão. Lembro quando em uma oportunidade me disse: os cães não desistem e não cansam de sua tarefa. São persistentes e não reclamam do que devem executar. Se uma tarefa lhes é atribuída não só a desempenharão com o máximo afinco, como também o farão com toda a felicidade do mundo. Não ficam de cara fechada quando recebem uma ordem, mas balançam o rabo e saem saltitantes e com expressão de felicidade para executar. Não tenham dúvida, os animais, em particular expressão os cães, são verdadeiros exemplos de atividade trabalhista para os homens. Não desistem da atividade, não deixam o dono na mão, sentem imensa satisfação quando possuem alguma tarefa para executar e principalmente, gostam de ser recompensados por isto.
Existe uma grande diferença entre os homens e os animais. Os primeiros sentem imenso prazer em serem recompensados por nada fazer e quando precisam se esforçar por alguma recompensa, tendem a desmotivação. Os cães, ao contrario, quanto mais tarefas lhes passam, mais felizes ficam por receberem recompensas. Motivam-se a trabalhar ainda mais e com maior afinco e felicidade. Grande Pedro. Ensinou-me muito nos tempos em que por aqui esteve. A você minha homenagem.

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