Osasco,

 

Sou o que trabalho
Rodrigo Deusdará Salvi

 

O homem e a pipoca

Gozado o título de hoje, não?! Devem ter muitos pensando o que uma pipoca tem de semelhante ou importante para o homem? A tomaremos como ponto de comparação. Só para nos situarmos melhor, a referida pipoca é aquela cujo milho nós aquecemos para dar vida a um corpo branco e que salgadinho serve como um dos principais aperitivos das pessoas. Que estranho nos referir à pipoca desta forma. O que tem para verificarmos nesta história das pessoas e as pipocas?
Primeira observação: reparem o tamanho do milho da pipoca. Pequeno não é? Nem parece ter uma importância significativa quando o vemos. Aliás, só para fazer mais uma observação, as crianças de hoje talvez nem imaginem de onde surge a pipoca das quais elas comem. Até porque, nos dias atuais estamos muito mais acostumados com as industrializadas de microondas do que em comprar o milho a granel para fazer na panela. Mas aqueles que pegam uma pipoca nas mãos pela primeira vez, jamais imaginariam que ela pode virar aquela substância branca, crocante e gostosa na qual se transforma.
Segunda observação: após sua transformação a pipoca vira um objeto muito maior do que antes. Parece haver uma grande mudança em seu interior que permite desabrochar algo muito maior e mais gostoso do que em seu princípio. Quanto enriquecimento e modificação. Algo quase sem valor anteriormente passa a ter um substancial valor para o ser humano.
Aliás, minha terceira observação é esta: coma o milho de pipoca cru e sem preparo. Ruim não?! Talvez para a galinha e outros animais seja muito saboroso, mas não para nós. É necessário haver muita transformação para podermos saboreá-lo. Ou seja, por trás daquele milho duro, cru, sem significado aparente há muito a ser usufruído e saboreado pelo homem. Não é interessante como coisas assim podem acontecer?
Penúltima observação: sem tempero a pipoca, agora preparada, não possui o mesmo sabor sem um tipo de tempero. Pode ser apenas um sal, “Sazon”, manteiga ou algo mais. Não é a mesma coisa comer a pipoca sem tempero da temperada.
Última observação: após preparada, se não continuar aquecida, murcha e fica ruim para ser consumida. Reparem nos carrinhos de pipoca dos parques de diversão. Eles conseguem manter a pipoca preparada por algum tempo até ser consumida numa espécie de mini estufa. Mas uma coisa é verdade, pipoca fria e murcha é tão ruim quanto o milho cru.
Agora vamos comparar tudo isto com o ser humano. Quando chegamos ao mundo estamos totalmente crus, sem sabor, duros, sem grandes preparos para usufruir da vida. Somos ainda tão pequenos, no físico e no intelectual, quanto o milho da pipoca, mas por trás de todos nós existem diversas potencialidades, basta que sejam despertas e aquecidas para virarem pipocas grandes e gostosas. Neste processo de desabrochar precisamos aprender, despertar os talentos e evoluir. Somente assim para virarmos pipocas suculentas. Se não nos transformarmos na vida, nunca chamaremos atenção, conseguiremos bons empregos e brilharemos. Por isto precisamos ser temperados com realizações, cursos e tantos mais. Agora, acima de tudo não podemos esfriar. Precisamos nos manter aquecidos e motivados ao longo da nossa vida.

• ÚLTIMAS COLUNAS

Afinal, para que serve o consumo?

Você gosta de acordar cedo?

Aqui é trabalho

Compulsão

Mundo corrido?! Que isso que nada...

O trabalhador destes novos tempos

Imediatismo em foco

O narcisismo e o Pós-modernismo

O capitalismo, o modernismo e o pós-modernismo

Sociedade moderna ou pós-moderna?

A ansiedade de quem procura um emprego