Osasco,

 

Sou o que trabalho
Rodrigo Deusdará Salvi

 

Afinal, para que serve o consumo?

Em algumas semanas anteriores discorremos sobre o pós-modernismo e sua acentuada tendência ao consumismo. Verificamos que as pessoas se tornaram intransigentes a ele. Não sobrevivem mais sem comprar. Aliás, as próprias pessoas se tornaram mercadoria, necessitando de transformação e fetichização para serem aceita por elas mesmas e pelos outros.
Se o consumo possui um papel de ser tão vilão quanto analisamos, desequilibrando a livre escolha da sociedade, qual sua utilidade nos dias atuais?
Não podemos deixar de entender que o consumismo também traz suas vantagens ao homem, principalmente no que diz respeito a sua evolução e novas descobertas. Acima disto, sem consumo não há produção que não gera emprego e que enfraquece financeiramente as famílias. Isto enfraqueceria as nações, acanharia a evolução e talvez, não tivesse permitido ao homem chegar até aqui.
Mas o consumo excessivo também gera muitos problemas, tais como a desigualdade social refletida nos bens absorvidos pelas pessoas, o aparecimento de novas doenças como a dependência ao comprar, o enfraquecimento do relacionamento das pessoas através do aparecimento de novas formas “virtuais” de o fazê-lo. Tem o fato também de todos terem se transformado em mercadoria e conseqüentemente vendável de uma certa maneira. As pessoas estão mais enclausuradas, fechadas e usufruindo um mundo próprio e encantado. Aparece na vida de quase todos uma compulsão a buscar a felicidade nos bens e serviços de consumo, nem que momentaneamente ou por cinco breves minutos. Aparece o imediatismo e foge-se de um raciocínio mais longínquo do usufruto em longo prazo. As pessoas passam a idealizar ainda mais a mercadoria e seu poder de conforto, completude e felicidade, o que gera a ilusão da existência de uma satisfação transcendental e máxima. Vivem-se novas utopias, novos desejos, e, implantam-se novos fetiches.
O problema maior é que ao final de tudo ninguém nunca parece estar satisfeito com nada. Desde o que ganha até o que perde. Desde o mais rico, passando pelo mais pobre. Sinônimo de felicidade no consumismo pós-moderno é o ter, o possuir e o comprar, mas não garante a felicidade de ninguém e precisa ser assim para despertar e incitar outros consumos. Não dá para parar, é necessário continuar. É uma redoma sem parada, sem final e sem sucesso.
Já perceberam como definitivamente rompemos com a filosofia de vida igualitária? Não se busca mais estar semelhante, ter as mesmas posses e direitos a todos. O ideal é que sejamos todos diferentes, tenhamos acesso aos produtos e serviços de maneira diferente. Eu não devo completar ao outro, mas apenas a mim mesmo enquanto mercadoria. O outro que corra atrás de suas próprias oportunidades. Eu prezo e zelo é pelas minhas. É um mundo que rompe cada vez mais com o coletivo e incita a se pensar de maneira individualista. Eis o meu desejo, quero satisfazer a ele. Eis a minha falta, quero um falo, um produto, um serviço, uma promessa, um objeto passível de completude. Não quero sentir a falta. Cadê uma propaganda que venda exatamente o que preciso para ser feliz? Cadê? Onde está? Pago o que for necessário!

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