Osasco,

 

Falando Sério
José Carlos Carturan Filho

 

Palavrinhas Mágicas

Por incrível que pareça atualmente temos de chamá-las assim. Nem sou tão antigo, mas posso me lembrar que há algum tempo estas simples palavrinhas eram bem mais comuns. E diz a lenda que tempos atrás, também não tão distantes assim elas eram partes integrantes do convívio e até mesmo essenciais para a consolidação do bom relacionamento humano em sociedade.
Seria um pouco de presunção de minha parte, querer buscar efetivamente o motivo deste artigo tão simples ter se tornado raridade. Ouso considerar, no entanto, que a escassez destes itens tão importantes é apenas um reflexo de um contexto mais abrangente.
A rapidez e o dinamismo do nosso mundo, por exemplo, podem ser citadas como parte deste contexto mencionado. Grande competitividade, banalização de alguns costumes e hábitos fundamentais, informações que chegam até nós e precisam ser digeridas (Ops! Sem nenhuma alusão ao nosso senador aLLagoano) de maneira extremamente rápida.
Para que tenhamos uma idéia a estimativa é que o conteúdo de informações que temos a disposição dobrará em cinco anos e normalmente as coisas que aprendemos no primeiro ano de um curso universitário já estão obsoletas no último.
Perceba que não estou justificando o fato das “palavras mágicas” terem ficado tão raras de serem ditas e ouvidas, apenas buscando (talvez em vão) entender o motivo deste “sumiço”. E talvez você esteja agora se perguntando: Que palavrinhas mágicas são estas, José Carlos?
E eu começo a responder com uma delas: Desculpe, desculpe por não citá-las desde o início. E no mesmo grupo de palavrinhas mágicas do “desculpe”, há algumas outras tão importantes quanto. Quer ver? Por favor, obrigado, com licença, por gentileza, bom dia, olá e tantas outras que existem no repertório. A estas palavras é que me refiro desde o início da coluna. Ficou decepcionado? Não acha estas palavrinhas mágicas? Até certo ponto entendo que não deveriam ser consideradas mágicas, mas sim fazerem parte do nosso cotidiano.
E isto até acontece. Às vezes. Porém, cada vez mais, as pessoas acabam por esquecê-las. Acha que estou exagerando? Então repare a partir de hoje quantas pessoas fazem uso das tais palavras.
Para dizer a verdade, estas palavras sempre foram mágicas, pois sempre tiveram o poder de representar sentimentos de educação, gentileza, cordialidade e de forma “mágica” estabelecer entre as pessoas uma relação de respeito e humanidade.
Talvez esta escassez de “obrigados” e “desculpas” seja apenas o reflexo do desrespeito que rege as relações humanas nos nossos dias, onde a violência já passou de ponto e virou crueldade, onde a corrupção já extrapolou e tornou-se hábito, onde a impunidade já virou senso comum e poucas coisas chegam a nos trazer indignação e perplexidade.
Qualquer bom relacionamento tem como base o respeito. E talvez a única maneira de resgatarmos estes e outros valores e princípios tão importantes seja começando do básico, da cordialidade, educação e generosidade, usando as tais palavrinhas mágicas.

 

 

 

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