Osasco,

 

Check-Up
Antonio Júlio Baltazar

OUTRO dia fui indagado por um leitor desta coluna sobre como era a vida em Osasco nos anos 50. Nesta época eu era ainda bem garoto mas na minha memória consta grandes imagens que certamente ficarão indelevelmente marcadas para sempre.

É bom lembrar que nos anos 50 Osasco era apenas um bairro literalmente abandonado da cidade de São Paulo. Lembro que já havia reuniões de pessoas influentes sobre a possibilidade de se buscar a autonomia deste bairro, para vir a ser uma cidade. mas era tudo bastante incipiente e inexpressivo.

ESTE bairro Osasco tinha toda a sua economia assentada na indústria e depois num pequeno comércio. Mas, sem dúvida a pequena população vivia toda ela amparada no parque industrial. Na verdade eram gigantes como a Soma e a Cobrasma que operavam no parque ferroviário.

O grande frigorífico Wilson em Presidente Altino, na época comandado por americanos e cuja produção de embutidos era quase toda exportada para os Estados Unidos. Meu falecido pai trabalhou nesta empresa por mais de 30 anos e de lá conseguiu todo sustento para criar sua família.

ESTA empresa era pioneira, ao lado do Frigorífico Armour na Vila Leopoldina, na fabricação de embutidos. Lembro muito bem de um produto, que inclusive já escrevi sobre ele por várias vezes nesta coluna chamado CAPICOLA. Uma espécie de copa bem mais picante feita em bexiga de carneiro, cujo sabor não esqueço nunca mais.

DEPOIS de muitos anos, quando estava visitando Miami nos Estados Unidos, consegui encontrá-la numa lanchonete e fiquei tão satisfeito que acabei comprando três peças e as trouxe para o Brasil para matar a vontade. Outra grande empresa era a Cerâmica de Osasco (depois Hervy), Fábrica de Papelão, Tecidos, a Granada que fabricava fósforos e outras.

TODO o crescimento desta região deu-se em função do trabalho destas empresas que acabaram com o tempo atraindo outras de prestação de seriviços, como por exemplo o nosso Bradesco e até mesmo o Itaú que tem a agência número 1 no centro de Osasco. No comércio a Casa Ulysses era o ponto dos calçados.

NO campo cultural, poucas escolas. Neste período nem pensar em cursos universitários. Hirant Sanazar formou-se em Direito em Mato Grosso e o nosso primeiro médico osasquense, Dr. Conrado Cesarino, formou-se em São Paulo e tinha que ir a pé todos os dias para a Universidade. Foi um gigante!

DEPOIS do primário, quem podia e tinha meios para isso, era buscar o ginásio e os cursos médios, como contabilidade e principalmente normal para depois dar aulas. O curioso é que na época, era comum todos fazerem o curso de datilografia, pois escrever à máquina era uma necessidade. A escola do professor Teixeira em Presidente Altino era a mais procurada, até hoje guardo o meu diploma.

NO campo do lazer e entretenimento as opções eram poucas. Aos sábados ou domingos assistir a um filme no Cine Osasco e depois Cine Glamour (que foi construído para ser um cassino). Bailes nos salões do Atlético ou Floresta com a grande orquestra osasquense de Toni Durian e seus Big-Boys, ou assistir as peças teatrais do grupo comandado por Albano dos Santos.

DE quando em quando, vinha por estes lados um acanhado parque de diversões e todos curtiam uma roda gigante ou os populares cavalinhos. Lembro que por aqui esteve um parque que trouxe uma grande atração, ou seja, o grande trem fantasma. Crianças pequenas não podiam visitar esta atração.

NO esporte foi uma época de ouro. Os grandes clássicos locais eram sensacionais. Três equipes dividiam a preferência em Osasco: Floresta; Soma; Atlético e ainda, mais por baixo a Cobrasma e o famoso time do “Buraco-Quente” do inesquecível Expedito que apitava o jogo com uma peixeira na cinta.

COM o passar do tempo outras equipes foram sendo montadas em Osasco, especialmente na periferia, como Rochdale, Piratininga, Baronesa e outros bairros como a Ponte Preta no Km 18, hoje uma entidade muito respeitada. Mas o progresso avassalador acabou com os campos de Osasco e com eles somente a saudade ficou na nossa lembrança.

TRANSPORTES e comunicação eram uma barra. Os famosos ônibus Papa-fila, uns monstrengos (que ultimamente voltei a vê-los na cidade de Havana, em Cuba) faziam do centro de Osasco até o Vale do Anhangabaú em duas horas. Somente 7 ou 8 viagens por dia. O trem ainda era a nossa salvação. Subúrbios sempre lotados serviam a nossa gente de uma melhor maneira.

OUTRO capítulo triste de ser lembrado é o dedicado aos telefones. Um aparelho custava mais caro do que um automóvel. Para ligar para a cidade de São Paulo, havia a necessidade de marcar na telefônica (Rua Antonio B. Coutinho) com uma espera de mais ou menos 4 a 6 horas. Falava-se numa cabine fechada e em seguida, pagava-se a conta.

PORTANTO ao meu amigo leitor que indagou sobre a nossa Osasco dos anos 50, aí estão algumas pinceladas. Muita coisa poderia destacar, como a necessidade de tirar fotos para documentos: ou você as tirava no Foto Sis ou no Nico. Mas, 60 anos passaram, com eles a nossa gente sofrida e trabalhadora assumiu a responsabilidade de transformar este bairro, numa das maiores e mais modernas cidades do Brasil. Parabéns ao nosso povo!

NESTE final de semana estarei em Florianópolis na transmissão do jogo de futebol pela Rádio Iguatemi 1370 KHz, entre Avaí e Grêmio Barueri, pelo Campeonato Brasileiro, a partir das 15h30, ao lado de Adriano Zini e Toni Marchetti. Até lá nos 1370 KHz da Iguatemi.

 

 


 

 

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