Osasco,

 

Sou o que trabalho
Rodrigo Deusdará Salvi

 

Compulsão

O que é a compulsão? Somos realmente compulsivos neste atual momento em que vivemos? Como explicar os motivos pelos quais isto acontece? Percebem como estas perguntas são difíceis de se responder? Uma das características que observamos das pessoas nos dias atuais é o fato delas repetirem com certa constância hábitos, costumes e práticas diversas. Isto não é algo realizado por poucos, mas pela grande maioria e de forma nunca presenciada em séculos anteriores a este que estamos.
As pessoas para alimentar seus vazios, suas necessidades e desejos, dispõem-se a buscas incessantes por coisas e pessoas que lhes preencham por completo. Isto funciona como mero desejo e fantasia, já que dificilmente alguém se completará nos objetos a serem consumidos e nas pessoas a serem conquistadas. A maioria destas coisas soará no indivíduo de forma incompleta, ou até melhor dizendo, como substituto de faltas maiores.
Respondendo a primeira pergunta de forma simples e genérica, compulsão é um ato repetitivo e praticamente incontrolável que o indivíduo passa a desenvolver ao longo da vida. É como o vício, apesar de não ser assim representado por não possuir nenhuma substância química para que o efeito seja reproduzido.
Por exemplo, vivemos hoje uma sociedade compulsiva em consumo. Para a maioria das pessoas tudo parece ter uma solução capitalista a se buscar. Está triste? Desiludido? Precisando de motivação? Compre, compre e compre.
Para todos os problemas há a possibilidade de encontrar soluções no consumo. A sociedade desenvolveu a crença de que tudo é comprável, desde a mudança do próprio corpo ou qualquer outro tipo de produto ou serviço que possa trazer a felicidade. No capitalismo tudo se compra. Agora percebam, isto se tornou uma das nossas maiores compulsões nos últimos anos. A busca desenfreada pela felicidade e a completude passam pela influencia capitalista do tudo comprar.
A partir destas explanações, podemos de fato afirmar que somos compulsivos em nosso modo de ser. E mesmo naquelas coisas que estão rodeadas de valor temos esta prática compulsiva de tudo mudar. Não estamos satisfeitos na religião, trocamos. Também não estamos satisfeitos com o parceiro no casamento, arrumamos outro e separamos do anterior e assim sucessivamente. Da mesma forma que podemos comprar todas as coisas, negociamos também outras modificações mais. Só não pode é ficar insatisfeito. Estamos compulsivos pela tentativa de encontrar a satisfação.
Então percebam que o que motiva as pessoas nestas buscas é a tentativa de preencher suas faltas e vazios. Sabemos que não estamos saciados e que não somos perfeitos, mas vivemos em busca desta o tempo todo. Traçamos ideais de completude e nos tornamos compulsivos em encontrar solução para estas coisas.
Isto é característica da sociedade atual e o que motiva a todos nestas buscas é a ilusão de que é possível atingir os ideais. Tudo incitou e levou o homem a acreditar em uma certa onipotência de sua pessoa. Só não alcançaria neste atual padrão aquele que não quer, pois tudo é possível, tudo é comprável, e conseqüentemente, tudo é vendável.

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