Osasco,

 

Check-Up
Antonio Júlio Baltazar

CERTA vez, não faz muito tempo, conheci uma senhora coreana que trabalhava no Brasil no ramo de confecções, na zona atacadista de São Paulo. Começamos a conversar sobre o seu país, o qual conheci em 2002 ao longo da Copa do Mundo e por lá fiquei um pouco mais de dois meses.

ANTES de visitar a Coréia do Sul não tinha muito conhecimento deste distante país. Na verdade tinha até um pouco de preconceito, pois na época tudo ou quase tudo que era de origem coreana, eu imaginava ser de qualidade inferior, talvez imaginando e comparando com os produtos da China, vizinho da Coréia do Sul.

A minha primeira estada neste país, foi na cidade industrial de Ulsan, a mais ou menos 500 quilômetros da capital Seul. Foi nesta cidade que a Seleção Brasileira de Futebol escolheu para realizar seus treinamentos e adaptação para a Copa do Mundo.

TRATA-SE de uma cidade beira mar e ali tudo ou quase tudo tem a marca HYUNDAI quer no ramo de automóveis, navios e sede da maior construtora da Coréia do Sul. Aliás, o hotel em que a Seleção do Brasil estava hospedada chamava-se Hotel Hyundai e ficava bem perto da grande fábrica de automóveis Hyundai.

NÃO é uma cidade pequena. Um pouco maior que Osasco em população, em torno de 1 milhão de pessoas. No primeiro momento estranhei demais o modo de viver deste povo, mas com o passar do tempo passei a admirá-los pelo seu estoicismo e força de vontade.

COMO todos os orientais são superdisciplinados. Simplificam demais o seu dia a dia. Há coisas curiosas, como por exemplo o fato das ruas não terem nomes e apenas números. Via de regra, quem nasce numa casa, praticamente vive e morre no mesmo lugar.

NÃO gostam de expor suas peles ao sol. Até mesmo nas praias eles se protegem com cremes e principalmente de guarda-sol. Suas peles, principalmente das mulheres parecem de uma porcelana legítima chinesa. Raramente são vistas pessoas obesas, muito pelo contrário, a maioria é magérrima.

SÃO cordiais e fidalgos. Sempre sorriem quando cruzamos com elas. Por lá confesso que a comunicação é por demais difícil. Em Ulsan poucas pessoas falam inglês e daí imagine o entendimento entre o “coreano” e “português” com o nosso sotaque de brasileiros. Já deu para perceber.

É tão difícil, que quando chegamos fomos alugar um carro e meu amigo Marchetti com toda calma ficou quase cinco horas negociando. É bom membrar que na Coréia a mão de direção é a inglesa e contrária a nossa. Por isso, ao dirigir todo cuidado é pouco.

QUANDO se anda pelas ruas as placas de sinalização e direção são todas em coreano, o que leva a gente a ter muita memória para gravar os locais por onde passamos. Lembro muito bem, que nosso hotel ficava próximo a uma grande roda gigante e este brinquedo era a nossa referência.

ACHO que a minha maior complicação por lá, ficou por conta da alimentação. Por lá não existem embutidos como salame, mortadela, presunto e derivados de leite também não, portanto na hora de comer iniciava-se o nosso grande drama.

A alimentação básica ficava por conta de um peixe bastante comum naquela região, que depois de seco, era moido e transformado numa farinha que por sua vez servia de base para seus pratos. Assim esta farinha era colocada em cumbucas e adicionados um monte de vegetais e coisas que não conhecíamos.

O detalhe terrível ficava por conta do cheiro desta “sopa” que não era nada agradável. O engraçado que à medida que os dias passavam a fome também aumentava. Mas a improvisação do brasileiro é admirável. Assim alguns amigos jornalistas da Bahia “alugaram” um pequeno bar e conseguimos fazer à nossa maneira o famoso “frango à passarinho”.

A partir de então era “frango à passarinho” de manhã, de tarde e à noite. Quando cheguei da Coréia fiquei quase um ano ser ver frango preparado de qualquer jeito. Mas, na hora de pagar o coreano dono do bar, era muito engraçado: ele fazia as contas em coreano e nós em português daí...até acertar era uma “briga” para mais de metro...

SEGURANÇA total, em dois meses nunca vi algum tipo de confusão. Transportes maravilhosos. Habitação toda igual. Os prédios praticamente todos iguais de 16 andares e bem simples. Grandes prédios comerciais e detalhes que chamaram muito a minha atenção.

UM desses detalhes, fica por conta das agências bancárias. Por lá todas são obrigadas por lei a manter uma mesa com 10/12 óculos de grau fixados em pequenas correntes para servir aos idosos que necessitarem para preencher um cheque ou qualquer documento. No Brasil poderiam até copiar este exemplo.

POR coincidência, nesta última quarta-feira foi comemorado o aniversário da Coréia do Sul e lembrei com saudades desta grande país e de sua obreira gente, que serviu de exemplo de trabalho e dignidade, assim ao despedir de minha amiga coreana, dei-lhe um voto de felicidades e de reconhecimento pela sua gente...

BARUERI acaba de criar projeto para a erradicação do analfabetismo na cidade, entre jovens e adultos. O projeto “Barueri Alfabetiza Bem” tem o apoio de diversas secretarias municipais e a coordenação da presidente do Fundo Social de Solidariedade, Sônia Furlan,

NESTE domingo a partir das 18 horas, estarei com a Equipe Furacão de Esportes da Rádio Iguatemi 1370 KHz, transmitindo pelo Campeonato Brasileiro de Futebol, o jogo Grêmio Barueri x Goiás, com narração de Adriano Zini, reportagens de Toni Marchetti e comentários deste amigo. Até lá nos 1370 Khz.

 


 

 

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