Osasco,

 

Sou o que trabalho
Rodrigo Deusdará Salvi

 

Mundo corrido?! Que isso que nada...

Como vive uma pessoa neste momento atual? Numa correria sem fim, não conseguindo dar conta de todas as suas tarefas e atividades diárias, e muitas vezes, sem o tempo necessário a ser dedicado a muitas das suas obrigações de vida.
O mundo acelerou nos últimos anos. Parece que acelera um pouco mais a cada dia. Antes tínhamos no tempo a possibilidade de execução de inúmeras coisas que agora já não conseguimos mais. Trabalho, escola, obrigações domésticas, médicos, dentistas, compras, escola dos filhos, televisão, mais trabalho, mais trabalho e mais trabalho. A vida diária do trabalhador cotidiana se divide principalmente entre estas atividades. Já não lhe sobra tempo para muita coisa, e, verdade seja dita, nem sempre ele consegue fazer com 100% de eficiência e eficácia todas estas coisas. A pressão é enorme para que terminemos tudo no tempo, não estouremos os prazos, não percamos o trem da oportunidade que todos os dias vem a nossa porta.
Não esqueça, o imediatismo é a ascensão da utopia de perfeição que o homem vai depositando em si mesmo. Ele passa a acreditar cada dia mais que é um sujeito quase perfeito que pode dar conta dos problemas e tarefas diárias. Não vislumbra dificuldades como se estivesse muito além das suas capacidades, não entende mais as possibilidades de compra como impossíveis, mas tudo é possível no capitalismo, nem que para comprar eu precise passar a vida ou muitos anos pagando um crediário, ou trabalhando pelo ideal que criei. Aliás, o trabalho passou a ser um dos melhores demonstrativos de que o homem pode alcançar seus sonhos e idealizações. É possível trabalhar para transformar as coisas à nossa volta. Muitas pessoas transformaram esta atividade como a única importante em sua vida. Por aí, estão cheio de workaholics e outros semelhantes. Pessoas que não medem esforços para trabalhar. Adoram trabalhar, ficam doentes se não trabalham e deixam o resto de suas vidas a ver navios, em detrimento de uma importância descomunal que estabelecem para a vida de trabalhadores.
O mais incrível nestas situações, é que as pessoas gostam de se portar assim. Sentem prazer em trabalhar, sofrer pressão e ter que executar tudo em pouco tempo. Atingem um ideal de felicidade fictício no desdobramento de sua mente e corpo, buscando cumprir sua missão diária de trabalhador contumaz e esforçado. Também haveria felicidade e completude narcisista no trabalho.
Sabe o que é ainda mais interessante? Como vimos este mundo se transformou em uma grande correria. O ritmo é desenfreado e incontrolável pela sociedade atual. E tudo o que acontece à volta, parece desfavorecer o andamento em ritmo acentuado das necessidades humanas atuais. O homem precisa fazer e solucionar tudo às pressas, mas tem o trânsito como obstáculo, os bancos cheios, as ruas entupidas de clientes sedentos, as empresas ambiciosas e sugando até a última gota de suor do seu trabalhador. Tem também os inúmeros problemas familiares em que as pessoas estão envolvidas como as brigas, divórcios, acordos e tantas outras questões mais. Não bastasse tudo isto, o ser humano sofre com uma intensa cobrança do capitalismo para comprar a felicidade e os ideais de perfeição. Ufa!!!






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