Osasco,

 

Falando Sério
José Carlos Carturan Filho

 

Chapolin

Realmente o título da coluna pode ser estranho. Mas é impossível não se lembrar do desastrado e confuso super-herói mexicano que fez parte da minha infância e que até hoje faz sucesso nas telas brasileiras.
Impossível não se lembrar de um dos seus jargões. Quando alguém estava em perigo e dizia:
- E agora quem poderá me defender? Eis que surgia o velho Chapolin Colorado aos trancos e barrancos, fazendo lambanças e deixando a “vítima” ainda mais preocupada e desesperançosa quanto ao seu destino.
Talvez seja este o sentimento que tomou conta de muitos de nós brasileiros na semana passada. Quem afinal poderá nos defender? Em quem devemos confiar? Como manter-nos alheios a isto tudo?
Como disse em colunas anteriores, há duas opções: Ignorarmos e tocarmos a vida adiante como se isto não tivesse nada a ver conosco ou nos indignar e ao menos deixarmos claro o quanto estamos insatisfeitos.
O que mais me impressionou desta vez foi que ao contrário das outras havia um clamor popular pela instauração dos processos relativos ao “ilustre” presidente do senado (propositadamente presidente e senado estão escritos em minúsculas, pelo papel vergonhoso que representam em nosso país atualmente). Mais de 74% da população era a favor dos processos instaurados e apurados.
E mesmo assim... Tudo arquivado. Tudo mais uma vez jogado debaixo do tapete. Novamente a impunidade vai imperar. E o pior é ver a cara de sarcasmo e ironia dos “nobres” senadores. Sinceramente lamentável.
E talvez você esteja se perguntando: Mas José Carlos, o que o Chapolin tem a ver com tudo isso?
A resposta é simples: Se as pessoas que poderiam nos defender são exatamente aquelas que articularam, negociaram, intimidaram e forçaram outros parlamentares a votarem no arquivamento, a quem poderemos recorrer? E então cabe a pergunta do seriado: “E agora quem poderá nos defender?”
Como em uma situação destas o presidente da República alicerçado por uma inexplicável popularidade perde a oportunidade de cumprir com o que sempre pregou e que o fez chegar ao cargo que ocupa? Como é possível que exista uma articulação tão baixa para livrar de uma investigação pessoas que afundam nossas Instituições em escândalos cada vez mais vergonhosos?
Felizmente, como já disse em colunas anteriores, desta escuridão que se tornou nossa política, surgem dentro do próprio partido pessoas que discordam deste péssimo exemplo e que preferem permanecer fiéis aos reais princípios e valores pessoais e partidários, opondo-se publicamente ao vexame que se tornou a apuração deste caso. Alguns senadores mantêm até o fim sua integridade. Outros voltam atrás em suas decisões e “revogam o irrevogável”.
Porém diferente do seriado onde tudo acabava em boas risadas e em um humor nonsense e até mesmo ingênuo este espetáculo está muito mais parecido com um filme de terror barato. Dizem que o povo brasileiro tem memória curta. No ano que vem teremos a oportunidade de provar que isto não é mais uma verdade.





 

 

 

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