HÁ certos fatos na nossa vida que, por força de sua gravidade acabam sendo indelevelmente marcados em nossa memória. Há inclusive, alguns deles que a rigor se transformam em trauma. Nunca esquecemos, ao contrário, de quando em quando afloram com intenso vigor.
LEMBRO que quando garoto em Presidente Altino, um amigo de infância numa brincadeira boba de meninos na rua, acabou injetando em meus olhos uma pimenta malagueta esmagada. Fui parar na farmácia e até hoje além de trauma de pimenta, ainda tenho pequenos problemas com o olho atingido.
OUTRO exemplo de trauma, aconteceu na última terça-feira. Na minha casa, bem no fundo, minha esposa tem uma plantação de “primaveras”, uma espécie de trepadeira, que em determinadas épocas do ano ficam todas floridas, mas há momentos que se torna necessário fazer a poda.
VAI daí, que um homem que cuida do nosso jardim foi indicado pela minha esposa para fazer uma grande poda. O detalhe é que as plantas já estavam entrelaçadas há anos e para cortá-las devidamente, foi solicitado um “facão” para o referido trabalho. Fui escalado para a compra do dito cujo.
NUNCA havia até então, comprado um “facão”. Fiquei na dúvida onde encontrá-lo, até mesmo lembrei que há anos, na Rua da Estação, havia uma casa de ferragens onde era possível encontrar tal ferramenta. Mas, os tempos mudaram e não encontrei nada e então fui a uma grande loja no centro de Osasco.
SÃO lojas onde você encontra de tudo. Cheguei e fui logo perguntando a uma funcionária: “...preciso de um “facão”, vocês tem um?”. Com um sorriso pediu que a seguisse. Numa prateleira de produtos para jardinagem lá estava o que procurava.
DE repente, ao ver o “facão” fiquei todo arrepiado. Até um calafrio acabei sentindo. Aquilo era grande e horroroso. Aquilo era uma arma mortal. Meus pensamentos giraram como uma roleta e parou na cidade de Riad, na Arábia Saudita, onde estive em dezembro de 1997 fazendo uma cobertura com a Equipe Furacão transmitindo jogos da Seleção Brasileira de Futebol.
MAS apesar de supertenso comprei o grande “facão” por R$ 21,00 e fui guardá-lo no carro. Confesso que pensei estar no carro com uma enorme arma, talvez uma bomba de grande poder explosivo. No volante, meus pensamentos voltavam para as experiências que vivi em Riad, numa manhã cinzenta de um sábado.
NA cultura islâmica, os crimes hediondos são punidos com a morte em praça pública. Segundo o Alcorão, a morte acontece com um enorme “facão”, cujo comprimento é igual ao comprimento do braço do carrasco executor. Pois bem, levado por um amigo brasileiro que residia na Arábia Saudita fui ver a execução de três criminosos em praça pública.
ESTES atos são realizados somente aos sábados numa praça específica, feita para este mister. É um lugar que não pretendo nunca mais retornar na minha vida. As pessoas se cercam no local e aguardam a chegada dos religiosos e dos executores. Há todo um clima de tensão e ansiedade.
NESTE momento não se ouve nenhum barulho. É um silêncio tumular. O carrasco e seu ajudante chegam com uma espécie de máscara para encobrir o rosto e os condenados algemados com as mãos para trás. O ato é rápido e sem delongas. O assassino é colocado de joelhos e de cabeça agachada. O auxiliar do carrasco com um punhal o espeta na espinha e em seguida, a vítima recebe o duro e fatal golpe de “facão” e sua cabeça rola para o lado...
TRATA-se de uma cena dantesca e inesquecível. O sangue jorra por todos os lados e os corpos já sem vida são colocados numa viatura e levados para os abutres no deserto, enquanto outra equipe faz a lavagem do sangue na praça pública. Estes atos são repetidos todos os sábados...
NA verdade esta cena incomum jamais saiu de minha mente. Tão logo apanhei o “facão” na loja a minha mente mostrou-me, literalmente, todo este terrível espetáculo que assisti em Riad. Por mais que quisesse esquecer tal fato, não consegui.
CHEGUEI na minha casa, apanhei o “facão” como se fosse algo explosivo e dei para o jardineiro e pedi que tomasse muito cuidado e, em seguida, o guardasse num lugar seguro para que tivesse apenas uma utilidade, ou seja, de apenas podar as primaveras e nada mais, ufa! que trauma do dito FACÃO...
A Tv Globo destinou na semana passada, mais de cinco minutos sobre a cidade de Barueri e seu representante no futebol profissional. Um morador quando questionado pelo repórter sobre o que achava de morar em Barueri, foi logo respondendo: “ ...aqui é o melhor lugar do mundo....”. É, Barueri está em alta!
ÚLTIMAS COLUNAS
• CHECK-UP 21/08/2009
• CHECK-UP 14/08/2009
• CHECK-UP 07/08/2009
• CHECK-UP 31/07/2009
• CHECK-UP 24/07/2009
• CHECK-UP 17/07/2009
• CHECK-UP 10/07/2009
|
|