“ Bela, A Feia, um questionamento para Rede Record ? “
Nem bem a novela “Bela, A Feia” estreou na Rede Record, já há quem diga que a emissora escolheu mal sua parceria com a Televisa. O fato, é que a trama estrelada por Gisele Itié, Iran Malfitano, Bruno Ferrari e Carla Regina, não está gerando a audiência que a emissora esperava, mas isso é questão de alguns ajustes. A trama, segundo os pesquisadores desse tema, está oscilando entre 9 e 10 pontos, o que para a emissora não é um bom patamar.
Alguns fatores não atraíram o público a essa trama, primeiro; o texto conhecido, ora, leitor, contar a história da menina feia, que consegue vencer os inimigos preconceituosos e conquistar o príncipe encantado, não é exatamente o supra sumo da originalidade. Muito pelo contrário, essa história já foi contada tantas vezes, com tantas versões, fora o mote que foi utilizado em tantas novelas nacionais como “Marrom Glacê”, “Elas por Elas” e tantas outras. Mas apesar disso, a novela tem seus ganhos, tem seus aspectos positivos. E uma delas é a própria composição de Gisele Itiê. Ela está perfeita no papel de Bela, a desengonçada menina que sonha vencer como administradora. O tom escolhido por Itiê brinca com outros atores, que fica até viável entender uma figura como ela, mesmo com tantas formas de melhorar aquela aparência.
Outro ganho da novela é a própria adaptação de Gisele Joras. Ela que veio de um grande sucesso da emissora, “Amor & Intrigas”, acertou mais uma vez com o colorido dado a novela e aos personagens como Elvira (Bárbara Borges, perfeita como a irmã vulgar de Bela), Verônica (Simone Spoladore), como a vilã mor do escritório. Divertidíssimas as cenas em que a atriz contracena com Itiê, Simone faz umas caras de tédio, nojo, discriminação que as imagens ficam perfeitas. Outra figura que merece destaque é Diogo Marques, vivido por Sérgio Menezes. O ator está hilário na composição do personagem, que com aquele ar arrogante e a empáfia de um homossexual caricato, faz o público pensar o que aconteceu com aquele rapaz para que ele tenha ficado tão superficial, tão nocivo para o restante da empresa. E quem não conhece uma figura como Diogo, que esconde seu amor com um comportamento tão arisco, tão se mostrando acima dos mortais? Perfeito, um belo presente para Sérgio Menezes, que desde o Dr. Carlos de “O Beijo do Vampiro” não interpretava um personagem tão bem delineado. Não estou falando que não é uma caricatura, é, sublinha a velha briga dos homossexuais em não querer se ver assim, afetados, esnobes, mas a novela “Bela, A feia” é uma comédia e vem com essa proposta de brincar com esse universo de um escritório de publicidade, onde os belos dominam e os feios são subjulgados, pelo menos na primeira parte da história.. Agora dispensáveis são os personagens de Luiza Thomé e Raul Gazola, que casal de chatos, acho que a autora poderia nos poupar dessas cenas.
Em linhas gerais, a trama pode não ser o sucesso esperado pela emissora, mas é uma boa atração, com uma história que brinca com o colorido e estabelece um diálogo com os velhos clichês da sociedade. Vamos aguardar os próximos capítulos, certamente, vamos falar mais sobre “Bela, A Feia”. Um grande abraço e até a próxima edição do nosso “Espelho Mágico”.
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