Tv Cultura e o retorno aos velhos tempos
Arthur da Távola, em vários momentos da sua carreira como pesquisador de TV, afirmou que o indivíduo tem sempre o desejo de reter o tempo e com ele perpetuar emoções. Através dessa fala, fica fácil entender o porquê de várias emissoras buscarem sempre essas lembranças, essas cenas que geram prazer no imaginário do telespectador. E é nesse contexto, que a TV Cultura comemora seus 40 anos, mostrando antigas atrações e reelembrando a história da TV.
Recentemente, a emissora apresentou o documentário "A História da Telenovela", com as apresentações de Irene Ravache e Antônio Abumjanra. A atração mostrou os bastidores das gravações da primeira versão de "Paraíso", na qual os atores Cláudio Correa e Castro e Kadu Moliterno discutiam as cenas com os produtores da trama. O programa também destacou cenas com Glória Pires e Fábio Jr na primeira versão de "Cabocla", quando o personagem Luís Jerônimo tinha mais uma recaída da tuberculose. Belíssimos momentos que mostram como a TV era mais artesanal, tinha mais conteúdo, ousava mais, bem diferente de hoje, na qual o sucesso descartável e o apelo popularesco, cheio de palavrões e genitálias de fora, transformam a TV em um grande retrocesso.
O documentário também mostrou a importância da novela "Beto Rockfeller" e as participações de Luis Gustavo, Plínio Marcos, Bete Mendes, Débora Duarte e Irene Ravache na trama. Todos muitos jovens, entendendo aquele universo da TV, aquela nova linguagem que estava sendo imprimida por Braulio Pedroso e o então diretor Lima Duarte. Na outra parte do programa, foi mostrado a importância da trilha sonora - pontuando tensões e romantismo, novela como produto de exportação e as importâncias dos novelistas Dias Gomes e Bráulio Pedroso. É bem verdade que a emissora poderia produzir "A História da Telenovela 2" contando as conquistas do gênero, seus novos autores, a função social de inúmeras novelas e outros temas, será que isso é pedir demais ? A importância de pensar nesse tema, ou seja, os resgates, as atrações do passado, se faz em um função de que a televisão precisa, urgentemente, promover uma discussão sobre os seus rumos. Não estou falando de censura, mas de uma forma de filtrar boas atrações, valorizar os conteúdos, acabar, de vez, com esses programas que só mostram o mundo cão, não preciso nem detalhar quais, não é mesmo, leitor ?
Nesse sentido, a TV Cultura, com esse e com as reprises de programas como "Bambalalão", "Revistinha", "Vila Sésamo", shows e especiais mostra que a história da Tv ainda está viva, pulsando, comparando o que foi conquistado e o grau do retrocesso dos produtores de Tv, daqueles que imaginam que os telespectadores só queiram o descartável, o popularesco. E ai fica claro, se eles insistirem nesses tipos de atrações, o público não vai se acostumar com o que tem qualidade, o que é refinado, só com a insistência das apresentações de programas com conteúdo é que o telespectador vai mudar, vai alterar seu grau de exigência e a Tv, aos poucos, vai deixar de ser apenas um meio de entretenimento. É hora de repensar esse tema. Abraços e até o próximo "Espelho Mágico".
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