Caras & Bocas, uma dinâmica de risos e boas ideias
Não é novidade que Walcyr Carrasco está acertando com a trama "Caras & Bocas". A parceria entre atores, diretores e a produção global tem mostrado o quanto uma história simples e harmônica podem gerar deliciosos momentos na tela global.
A história dos encontros e desencontros de Dafne (Flávia Alessandra) e Gabriel (Malvino Salvador) é divertida, com bons diálogos e ótimos achados, e essas imagens, aliadas as cenas de intromissões de Bianca (Isabelle Drummond perfeita no papel) e Felipe (Miguel Rômulo ótimo na composição) fazem desses momentos, um exercício de humor inteligente. Alessandra, Salvador, Drummond e Rômulo brincam na dosagem certa, transformando o núcleo central de "Caras & Bocas" em um desfile de talentos e apostas no ato cênico, não podemos esquecer, leitor, que apesar do humor não ser tão valorizado nas premiações, fazer comédia, para a maioria dos atores, é mais difícil do que dramas, pois para isso (leia-se dramas) basta lembrar da situação vexaminosa da saúde no Brasil, que só por isso, já dá vontade de chorar e muito.
O outro núcleo vitorioso de "Caras & Bocas" acontece com Denis (Marcos Pasquim), Espeto (David Lucas), Lili (Maria Clara Gueiros) e o macaco Chico. Divertidas cenas, onde o humor impera e os atores podem brincar com o macaco, mostrando um diferencial na teledramaturgia. Há, na imprensa, um comentário bem humorado afirmando que o melhor ator em cena é o macaco Chico. É, se a gente for pensar em cenas, Chico tem se mostrado muito, mereceria mesmo boas capas das revistas especializadas em Tv. Não sei se venderiam, mas que seria divertido, isso seria.
Débora Evelin, como Judith, tem se mostrado uma ótima vilã, está leve, divertida, com o olhar bem distante da palidez que imperava em outras tramas globais. E apesar de fazer uma vilã, não está com o tom interpretativo chato como a Beatriz de "Celebridade" ou mesmo do seu personagem em "Páginas da Vida", aquela mãe que praticamente levou a filha a bulimia. É divertido o personagem se confrontando com o núcleo de Denis na trama. Outro personagem que está em ascenção é Milena (Sheron Menezes). E agora, nessa fase, a personagem resolve "comprar" Nicholas (Sérgio Marone), repetindo o clássico "Senhora", de José de Alencar, onde uma mulher compra misteriosamente o antigo namorado, aquele que a humilhou por causa de dinheiro e questões sociais. Nicholas ama Milena, mas tem vergonha dela. E aí entram várias questões como o fato dela ser pobre, negra e tudo mais. Com esses personagens, Carrasco mostra uma nova interpretação dessa questão social. Nicholas, na verdade, não tem caráter, princípios, valoriza o dinheiro e o status acima de tudo, o que Milena deveria fazer com essa história? O que fazer com o afeto projetado em uma figura como Nicholas?
Nessas últimos capítulos, a personagem Simone ( Ingrid Guimarães) está meio apagada, ela que veio imprimindo momentos divertidos na novela, está desaparecendo, acho que mesmo com a saída de Guimarães - que está grávida, Carrasco poderia gerar mais cenas para a personagem, criando uma bela saída dessa figura que sempre foi a melhor amiga da protagonista, mesmo depois da traição. Tem gente mesmo que faz tudo por um amor, pena que no caso de Simone, a escolha por Edgar (Júlio Rocha) seja tão péssima, tão voltada apenas pela atração física e não por outros aspectos do indivíduo, mas o que esperar de uma pessoa que, na sua procura por alguém, aceitava encontros pela internet ?
"Caras & Bocas", apesar da leveza, não é uma novela só para entreter, traz temas que podem ser pensados, discutidos, promovendo assim a reflexão sobre o ser humano e sua jornada nesse "Planeta Terra'. Certamente, voltaremos ao tema, abraços e até o próximo "Espelho Mágico".
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