Osasco,

 

Fatos & Idéias
Mário Luiz Guide

 

A Questão da saúde pública

Pesquisas recentes feitas no Brasil e no Estado de São Paulo colocam a saúde pública como o maior problema do país e do estado, do ponto de vista da população, ao lado da violência, emprego, educação, drogas, etc. Ás vezes, é a falta de médicos, a falta de remédios, a demora para marcar consultas e exames, falha no atendimento dos funcionários, etc.

Na semana que passou, dentro da programação do Curso de Formação Política do PSB para a Região Oeste da Grande São Paulo, envolvendo 11 cidades, o médico e professor da PUC – Pontifícia Universidade Católica, Dr. Newton Carlos Polimeno esteve na Câmara Municipal de Cotia, falando sobre “A Saúde Pública”. Na sua avaliação deve-se cuidar mais da saúde para ter que cuidar menos das doenças. O enfoque principal deve ser na prevenção, nas unidades básicas de saúde, mais agentes de saúde, em programas como o médico da família, etc.

Para ele um dos grandes problemas desta área hoje é a “medicalização da saúde” que se dá com a pressão dos grandes laboratórios de remédios sobre os profissionais da saúde combinado com a crença popular que para toda a doença há um remédio milagroso, impedindo o desenvolvimento de uma política de prevenção mais ampla que contemple na área da saúde as condições alimentares, físicas, higiênicas, ambientais, etc. Isto valoriza certos métodos e desvaloriza procedimentos médicos que poderiam ser eficazes na recuperação do paciente.

Um outro aspecto que deve ser considerado é que, em decorrência do extremo grau de desigualdade da sociedade brasileira, os recursos aplicados nos Planos de Saúde para atender 40 milhões de pessoas conveniadas é de 55 bilhões de reais, ao passo que os recursos aplicados pelo SUS para atender 150 milhões de pessoas é de 45 bilhões de reais: a injustiça é gritante.

Para o Dr. Polimeno um outro dado da situação diz respeito à formação dos médicos. Ele propõe uma educação mais voltada para a realidade da saúde da população. Na sua avaliação, o estudante de medicina tem no seu imaginário, ao iniciar o curso, que depois de formado, vai fazer uma especialização e abrir um consultório ou uma clínica. Na realidade, 80% dos médicos formados vão trabalhar na saúde pública ou nos convênios e menos que um terço consegue fazer uma especialização.

Como se nota, a questão é complexa e Dr. Polimeno traz questões importantes para a reflexão e para os que lutam por uma boa rede de saúde pública.

 

 

 

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