Repórter Record e outros detalhes da tragédia Jean Charles
Nunca se falou tanto na tragédia de Jean Charles como ultimamente. A história do jovem brasileiro, que foi assassinado no metrô do Londres, virou mote de um filme, protagonizado por Selton Mello e de um especial na Tv, comandado por Roberto Cabrini.
A primeira, que rendeu para nós um especial na coluna "EnCena", pontuou a história do jovem com seus inúmeros aspectos, inclusive a empatia. Na cabine especial de lançamento, muitos colegas da imprensa ficaram emocionados com a forma que o diretor Henrique Goldman montou o filme. A história, que ainda conta com as participações de Vanessa Giácomo, Luis Miranda (roubando a cena como o primo de Jean Charles de Miranda) e Patrícia Armani (que repete na ficção o seu parentesco com Jean Charles na realidade), reconstruiu o dia a dia do protagonista até a tragédia final. No filme, Jean (na construção de Selton Mello), traduziu a sobrevivência de um brasileiro no meio da xenofobia inglesa ( claro, isso foi negado, a ponto da produção brasileira contar com a parceria londrina para a realização do filme "Jean Charles). E essa "xenofobia" - que é preconceito, aversão a estrangeiro, é explicitado de várias formas durante o filme. Na coletiva, Goldman afirmou que os ingleses não censuram a forma que o filme foi produzido. "Eles deram total liberdade, só deram sugestões técnicas de como poderia ficar o filme, mas não interferiram, mesmo na nossa afirmação que a polícia londrina era a responsável pela morte de Jean Charles", destacou. A grande verdade, é que a equipe do filme procurou o tempo todo se ater na obra cinematográfica e não nos detalhes de todos acontecimentos, mesmo porque existem fatos que ainda estão sendo investigados.
Os outros detalhes do tema foram mostrados pelo programa "Repórter Record", de Roberto Cabrini. O programa especial, destacou a casa em que morava Jean Charles e seus primos, conversou com a atual moradora, que também é uma estrangeira, que vive com a mãe e recebe ajuda de Londres para se sustentar, já que não tem emprego. Paralelamente, o programa mostrou passo a passo a tragédia, inclusive pontuando a versão falsa da polícia, que afirmava que Jean Charles tinha sido assassinado, pois tinha pulado a catraca do metrô e corrido para dentro do trêm, o que já foi provado ser uma grande inverdade. A atração da Rede Record, com esses elos brincando com o documentário, apostou na reconstituição dos fatos, na ineficácia dos agentes - que não tinham fotos nítidas do terrorista e só uma leve ideia do rosto dele e perseguiram Jean Charles desde sua casa.
No filme de Goldman, isso não foi mostrado, pois os enfoques partiram de um outro olhar, daquele de quem não sabe o que acontecerá. No programa especial de Roberto Cabrini, o diferencial se deu na investigação, que já estava sendo feita desse protagonista da tragédia e isso ampliou o contexto do preconceito, de como é difícil sobreviver em outras terras. Cabrini, na mostragem da tragédia, ainda mostrou os sofrimentos dos pais de Jean Charles e os comentários de que a polícia poderia ter prendido o filho deles, como seria normal em qualquer investigação e não matá-lo. "Essa dor não tem fim, poderiam ter colocado uma algema e levado ele para falar, contar o que sabia, meu filho não fez nada, só vivia naquela terra e lutava para enviar dinheiro para nós, era uma vida difícil, mas que ele gostava, ele tava lá, a gente ainda está sofrendo muito", comentou o pai do rapaz.
Em linhas gerais, a tragédia de Jean Charles é emblemática e aponta o quanto é preciso tomar cuidado com decisões arriscadas como mudar de país, se a realidade no Brasil não é fácil e as tragédias também acontecem, mas em outro país qualquer incidente desse pode gerar uma crise diplomática. Claro, nada diminui a dor de quem perdeu alguém amado, seja no seu país ou no exterior, mas acontece que em outras terras brasileiros ainda são tratados e vistos com muito preconceito, como ladrões de empregos, como invasores de oportunidades. Vamos ficar atentos a isso, a história de Jean Charles ainda vai servir a muitas discussões do que representa a nossa brasilidade no mundo. Vamos voltar ao tema, abraços e até a próxima edição do nosso "Espelho Mágico".
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